O Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) e o Sistema Famato confirmaram a manutenção do calendário fitossanitário para o ciclo 2026/2027 do algodão, conforme as diretrizes da Instrução Normativa nº 003/2024. A medida estabelece o início do vazio sanitário a partir de 1º de outubro para a primeira região produtora, estendendo as restrições até 14 de dezembro na segunda macrorregião. Durante esse intervalo, fica expressamente vedada a presença de qualquer planta com risco fitossanitário nas propriedades, incluindo soqueiras e plantas voluntárias (tigueras).
O vazio sanitário constitui a principal barreira fitossanitária contra a proliferação do bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis). A ausência contínua de hospedeiros no campo rompe o ciclo reprodutivo do inseto antes do início da semeadura da nova safra, impedindo que a praga encontre alimento e abrigo na entressafra.
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O assessor técnico em Agricultura da Famato, Alex Rosa, ressalta a capacidade destrutiva da praga sobre as lavouras.
“Os insetos são atraídos pelo cheiro e atacam inicialmente os botões florais, que caem após serem abertos. As flores atacadas ficam com aspecto de balão, devido à abertura anormal das pétalas. Além disso, os insetos deixam perfurações externas na maçã do algodão e, internamente, as fibras e as sementes são destruídas pelas larvas, o que impede sua abertura normal e deixa as estruturas escuras”, detalha o assessor técnico.
A proliferação da praga é acelerada com o retorno das precipitações, visto que a alta umidade prolonga o tempo de decomposição dos botões florais caídos, mantendo as larvas protegidas por períodos maiores.
O diretor técnico do Indea-MT, Renan Tomazele, destaca o peso estratégico da conformidade fitossanitária para a economia do estado.
“Mato Grosso consolida-se como o líder absoluto da cotonicultura nacional, respondendo por cerca de 70% de todo o algodão produzido no Brasil. O modelo produtivo destaca-se pelo cultivo de segunda safra realizado no sistema de sucessão após a colheita da soja. Na safra 2025/2026, a área plantada com a cultura do algodoeiro no estado foi de 1,36 milhão de hectares”, afirma o dirigente.
Divisão regional e prazos do calendário fitossanitário
Para respeitar as particularidades climáticas e os ciclos de cultivo em sucessão à soja, o Indea-MT dividiu o território estadual em dois grupos:
Região I (1º de outubro a 30 de novembro): abrange polos agrícolas e municípios como Primavera do Leste, Campo Verde, Rondonópolis, Alto Garças, Alto Taquari, Barra do Garças, Cáceres, Cuiabá, Itiquira, Jaciara, Nova Xavantina, Pontes e Lacerda e Poxoréu, além das demais cidades do centro-sul e leste mato-grossense;
Região II (15 de outubro a 14 de dezembro): contempla as cidades do médio-norte, norte e oeste, incluindo Sorriso, Sinop, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Sapezal, Campo Novo do Parecis, Diamantino, Querência, Canarana, Tangará da Serra, Tapurah e Campos de Júlio.
O descumprimento do período de vazio sanitário ou a presença de plantas vivas de algodoeiro sujeita a propriedade a autos de infração, aplicação de multas e imposição de erradicação compulsória às custas do próprio cotonicultor.
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