Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Apta Regional de Pariquera-Açu (SP) comprovaram a eficácia de fungos do gênero Trichoderma no combate à podridão da base do caule (Phytophthora palmivora), considerada a doença mais devastadora e a maior ameaça econômica ao cultivo da pupunheira no Brasil.
Em testes de laboratório, isolados de Trichoderma harzianum apresentaram capacidade de inibição expressiva, reduzindo o avanço do patógeno em até 94%. Já as linhagens de Trichoderma asperellum diminuíram o progresso dos sintomas em até 80%. A pupunheira (Bactris gasipaes) é a principal alternativa sustentável ao extrativismo do palmito juçara e tem grande expressão produtiva em estados como São Paulo, Bahia, Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
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Aplicação preventiva e descoberta inédita de colonização interna
O estudo demonstrou que as estratégias preventivas apresentam os resultados mais eficientes no campo técnico. Quando a aplicação do bioinsumo ocorreu 48 horas antes da inoculação do patógeno, o Trichoderma harzianum ocupou rapidamente os tecidos vegetais e bloqueou totalmente o estabelecimento da podridão. Já as tentativas de aplicação curativa — após a doença estar instalada — mostraram-se significativamente menos eficazes.
A pesquisa também registrou uma descoberta inédita para a cultura: a comprovação da colonização endofítica da pupunheira por Trichoderma. Os fungos benéficos conseguem penetrar e crescer no interior do caule sem causar danos à planta, que permanece com tecidos claros, firmes e saudáveis. Essa colonização contínua atua como uma barreira biológica permanente contra futuras infecções na rizosfera e nos brotos.
Sustentabilidade para o alimento consumido in natura
Por ser um produto frequentemente consumido cru ou in natura, a redução de fungicidas químicos na cadeia do palmito traz benefícios diretos à segurança alimentar e ao meio ambiente. Como biofungicidas à base de Trichoderma já possuem ampla oferta comercial registradas no país, a adoção da tecnologia pelos produtores de pupunha ganha agilidade.
Outro avanço relevante do trabalho foi o desenvolvimento de uma metodologia de testes em pedaços de caule, criada para simular infecções de forma padronizada em ambiente controlado, barateando e acelerando os ensaios científicos. As equipes de pesquisa preparam agora a validação dos resultados em lavouras comerciais, avaliando o ganho de produtividade e a transmissão de resistência aos novos brotos emitidos pelas plantas.
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