O mercado internacional de café registra movimentos divergentes entre os grandes produtores asiáticos. Dados compilados pela consultoria Hedgepoint Global Markets mostram que as exportações do Vietnã atingiram 25,6 milhões de sacas entre outubro de 2025 e julho de 2026 — um crescimento de 20,3% na comparação anual, superando a média histórica de dez anos (23,5 milhões de sacas). A alta encerra quatro anos de queda e reflete a recuperação da safra local e a forte procura global pela variedade conilon/robusta.
A Índia acompanhou a expansão, embarcando 5,7 milhões de sacas na temporada 2025/26 (alta de 11,6%), enquanto a Indonésia recuou 26,8% no primeiro trimestre do ciclo (1,5 milhão de sacas) por conta de atrasos na colheita e escassez de estoques. A projeção da Hedgepoint é que o Vietnã encerre a temporada 2025/26 com 29,2 milhões de sacas exportadas, mas o fortalecimento do El Niño ameaça reduzir a produção asiática a partir do próximo ciclo.
Queda em tarifas nos EUA e avanço da colheita devem acelerar café
Preço do café ao consumidor cai 21% em um ano após pico de 2025
O que essa dinâmica muda para o produtor e o mercado no Brasil?
A reconfiguração da oferta na Ásia traz reflexos diretos e estratégicos para a cafeicultura brasileira em quatro frentes principais:
Pressão sobre o Conilon no curto prazo: A recuperação das vendas vietnamitas aumenta a oferta global da variedade no momento. Isso coloca um teto para altas agressivas na Bolsa de Londres, limitando picos de preços do conilon pago ao produtor no Espírito Santo, Bahia e Rondônia neste primeiro momento.
Oportunidade de valorização no médio prazo: Se o El Niño confirmar condições mais secas e prejudicar a irrigação no Vietnã ou as monções na Índia e Indonésia em 2026/27, a indústria global ficará sem opções na Ásia. O Brasil será o único fornecedor com capacidade de cobrir o déficit, o que pode disparar as cotações e os prêmios do grão nacional nos portos.
Competitividade mantida para o Arábica: Com a arbitragem (diferença de preço) favorável entre o arábica e o robusta, o Brasil se mantém em posição privilegiada. A estabilidade na produção brasileira de arábica garante a preferência de torrefadoras internacionais na formulação de seus blends.
Ganho de mercado para o solúvel brasileiro: Oscilações na oferta de matéria-prima em países como a Indonésia abrem espaço para que a indústria brasileira de café solúvel amplie suas vendas de produto industrializado para mercados exigentes na Europa e nos Estados Unidos.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
