O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, divulgou a edição de julho de 2026 do seu Boletim do Suíno, trazendo um diagnóstico de aperto de margens para a atividade. A média de preços do suíno vivo registrou recuo pelo quarto mês consecutivo, atingindo a terceira cotação mais baixa de toda a série histórica na praça paulista de SP-5 — que compreende as regiões de Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba.
O movimento de desvalorização foi intensificado na segunda quinzena de julho, período marcado por um arrefecimento expressivo na procura tanto pelos animais terminados quanto pela carne no atacado e varejo.
Carne suína de Goiás ganha mercado externo e exportação salta 15%
Exportações de carne suína crescem 3,7% em julho e chegam a 131,5 mil t
Menor ritmo de compras na Ásia impacta exportações brasileiras
No front internacional, os embarques brasileiros de carne suína apresentaram retração no comparativo entre junho e julho. O desempenho foi diretamente impactado pela desaceleração nas aquisições por parte de compradores asiáticos, com destaque para a diminuição no ritmo de importação das Filipinas, atual principal destino da proteína suína brasileira no mercado global.
Relação de troca atinge os piores patamares em anos
A combinação entre a queda no preço da arroba/quilo do animal e os custos de nutrição provocou uma severa deterioração no poder de compra do suinocultor em São Paulo frente aos componentes da ração:
Farelo de soja: marcou a quarta retração mensal consecutiva no poder de compra do produtor, consolidando o patamar mais desfavorável para a atividade desde janeiro de 2024.
Milho: a relação de troca também se estreitou, registrando o nível mais baixo de poder de compra desde janeiro de 2023.
Competitividade ganha espaço frente ao frango e perde para o boi
No mercado de carnes substitutas, os preços das proteínas suína e bovina recuaram em julho na comparação com as médias de junho, com uma retração percentual mais agressiva observada na carne de boi. Em contrapartida, a carne de frango resfriada registrou apenas uma leve oscilação negativa.
Como reflexo dessas variações relativas, a carne suína ganhou competitividade frente à proteína avícola nas gôndolas, mas perdeu espaço na disputa direta com os cortes bovinos no encerramento do mês.
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