Mesmo diante de restrições comerciais impostas por compradores internacionais, o mercado pecuário em Goiás mantém sólidos fundamentos de sustentação para o preço da arroba do boi gordo. Conforme avaliação do analista de mercado do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Marcelo Penha, o comportamento das cotações reflete diretamente a menor oferta estrutural de animais terminados para o abate.
O setor pecuário nacional atravessa a fase de alta do ciclo plurianual da pecuária, caracterizada pela intensificação da retenção de fêmeas nas matrizes e pela consequente redução no volume de gado disponível para as indústrias frigoríficas. Essa dinâmica interna limita o potencial de desvalorização que poderia ser gerado por instabilidades externas.
Plantas daninhas tóxicas no pasto causam perdas econômicas e mortes de bovinos
Queda no preço da ração dispara margem do confinamento em julho
Com as escalas de abate encurtadas, a concorrência entre os frigoríficos para manter a capacidade de processamento eleva as pedidas no mercado físico:
"Esse movimento pode levar produtores e confinadores a anteciparem a comercialização de bovinos que ainda não atingiram o acabamento ideal. Caso a dinâmica persista, a oferta de animais pode ficar ainda mais restrita no curto prazo, aumentando a disputa e contribuindo para a valorização da arroba", pontua Penha.
O aquecimento na terminação reverbera também sobre o mercado de reposição, elevando a demanda e os preços de bezerros e garrotes no estado.
Diversificação exportadora reduz dependência de compradores únicos
No âmbito do comércio exterior, a resiliência da pecuária goiana é favorecida pela descentralização de suas vendas externas. Embora a China preserve relevância estratégica, o estado ampliou os embarques para outros parceiros de peso, com destaque para os Estados Unidos, que assumiram a liderança nas compras da carne bovina de Goiás. O menor rebanho norte-americano em 75 anos mantém a demanda daquele país aquecida pela proteína brasileira.
Segundo o analista do Ifag, o volume de carne que eventualmente enfrenta restrições é rapidamente redirecionado pelos exportadores para destinos consolidados — como Estados Unidos, Chile, México, Rússia e Egito —, evitando a desova excessiva no mercado doméstico. Adicionalmente, o setor articula avanços diplomáticos e sanitários para acessar novos mercados de alto valor, a exemplo de Japão, Coreia do Sul e Vietnã.
Para garantir rentabilidade diante da volatilidade internacional, a recomendação ao pecuarista é manter o acompanhamento rigoroso dos custos de nutrição e planejar as janelas de venda com base em informações de mercado.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
