Mato Grosso do Sul consolidou a colheita de 16,7 milhões de toneladas de soja e 11,1 milhões de toneladas de milho na temporada 2025/26, reafirmando sua relevância na produção de grãos do país. O avanço desses volumes, entretanto, acelerou uma transformação profunda na estrutura do mercado de trabalho rural sul-mato-grossense, caracterizada pelo encolhimento das ocupações operacionais diretas nos talhões e pela rápida expansão dos empregos ligados a agrosserviços, suporte técnico e processamento agroindustrial.
O panorama converge com os dados do Boletim Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro, elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Em 2025, o agronegócio nacional atingiu o recorde de 28,40 milhões de ocupados (26,3% da força de trabalho do país), com saldo positivo de 601.806 trabalhadores. Contudo, essa alta concentrou-se nos agrosserviços (+6,1%) e na agroindústria (+1,4%), enquanto o segmento primário, dentro da porteira, encolheu 1,1%, com perda de 87.378 postos.
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Nas lavouras graníferas, o movimento de retração do trabalho estritamente manual foi ainda mais acentuado:
Cultivo de soja: Registrou queda de 6,9% na população ocupada em nível nacional, eliminando 31.987 vagas;
Lavouras de milho: Apresentaram recuo de 10,0% no contingente de trabalhadores, representando 43.087 postos a menos;
Cadeias correlatas em alta: Expansão direta na demanda por operadores de máquinas de precisão, mecânicos especializados, analistas de dados de telemetria e agentes de logística.
Conforme analisa o economista da Aprosoja/MS, Raphael Gimenes, a mecanização substitui o esforço físico repetitivo, mas transfere a pressão de contratações para a cadeia de suporte, que exige profissionais com domínio de ferramentas digitais e conhecimento agronômico aplicado.
Calendário produtivo, Caged e impacto salarial
O reflexo dessa transição é visível nos registros do Novo Caged em Mato Grosso do Sul. Em 2025, o estado encerrou com saldo de 19.756 empregos formais, sendo 1.256 criados diretamente no setor agropecuário, superado por áreas como serviços, comércio e construção civil. O indicador também acompanha a sazonalidade: o setor fechou 115 postos em abril de 2026 e outros 175 em agosto de 2025, coincidindo com o período do vazio sanitário da soja.
Com o fim do vazio sanitário em 15 de setembro e a autorização para o início do plantio a partir do dia 16, a movimentação da mão de obra volta a se intensificar nas fazendas sul-mato-grossenses.
Essa sofisticação tecnológica também redefine os patamares salariais. Levantamento da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), fundamentado em dados da Rais e do Caged, demonstra que a formação técnica e acadêmica dita a renda no campo: entre as mulheres que atuam na agropecuária dos municípios pesquisados, aquelas com ensino superior completo receberam média salarial de R$ 5.138,46, mais que o dobro da média de R$ 2.378,29 apurada para o nível médio.
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