Celebrado oficialmente em 13 de setembro sob chancela do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), o Dia Nacional da Cachaça reverencia o primeiro destilado genuinamente formulado nas Américas. Em Goiás, essa tradição secular ganha contornos de sucesso empresarial e agregação de valor com a trajetória da Cachaça Da Posse, rótulo artesanal desenvolvido no município de Guapó que ultrapassou as fronteiras estaduais para conquistar premiações de excelência técnica e alcançar as taças do mercado consumidor em Portugal. O produto foi uma das grandes atrações do 1º Festival da Cachaça, encerrado no último domingo no Flamboyant Shopping, em Goiânia.
A história da destilaria teve início em 1996, quando Eneas Vieira Pinto, natural de Lima Duarte (MG), ganhou um alambique de cobre de um conterrâneo. Estabelecido em solo goiano, o produtor aliou a pecuária leiteira à destilação de cana-de-açúcar, fundando a Cachaça Da Posse.
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Hoje sob a gestão de seu filho, Guto Guedes, a empresa consolidou um portfólio que transita entre as versões Prata, Amburana e Carvalho, atendendo aos paladares mais exigentes. A estrutura fabril converteu-se em um polo de turismo rural, abrindo suas portas para visitação guiada, degustação e imersão no processo artesanal de fermentação e destilação.
Vocação agroindustrial de Guapó
Distante apenas 27 quilômetros de Goiânia e cortado pela rodovia BR-060, o município de Guapó — termo de origem tupi que significa "comedor de raízes" — possui 19.545 habitantes (IBGE) e apoia sua economia na agropecuária e na indústria de base mineral e alimentícia. A consolidação de uma destilaria premiada internacionalmente insere a cidade no mapa das bebidas finas de exportação.
Da colonização açucareira ao padrão técnico contemporâneo
A cachaça é um patrimônio histórico nacional cuja gênese remonta aos primórdios do Brasil Colônia. Registros históricos apontam o primeiro plantio de cana realizado por Fernão de Noronha em 1504 e a montagem do engenho pioneiro em 1516, na Feitoria de Itamaracá. Entre 1516 e 1532, nos engenhos costeiros de Pernambuco e São Vicente, nasceu o processo de destilação da aguardente da terra, substituindo o consumo da bagaceira portuguesa e do vinho do Porto trazidos pela corte.
Em 1756, a capitania de Pernambuco registrou o primeiro rótulo industrializado em garrafa lacrada: a Monjopina. No século XX, com o advento da indústria sucroalcooleira e o programa Proálcool na década de 1970, o aproveitamento integral da cana revolucionou a eficiência do setor:
Ponteiras: Destinadas prioritariamente à silagem para alimentação do gado leiteiro e de corte;
Bagaço de cana: Utilizado na queima em caldeiras e cogeração de energia limpa, além de aplicações zootécnicas, na construção civil e no etanol de segunda geração (E2G);
Vinhoto: Subproduto da destilação com rigoroso controle ambiental, utilizado como biofertilizante líquido via fertirrigação ou convertido em biogás;
Identidade regulatória: O Regulamento Técnico oficial define a cachaça como denominação típica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil, obtida da destilação do mosto fermentado, com graduação alcoólica estrita de 38% a 48% a 20°C.
O destilado consolida-se hoje como protagonista na gastronomia contemporânea, harmonizando com pratos típicos e revelando a riqueza de aromas extraídos de madeiras brasileiras.
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