A expressiva retração nas cotações dos insumos nutricionais em agosto não foi suficiente para sustentar a rentabilidade dos confinamentos instalados no Centro-Oeste. Segundo o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), calculado a partir de dados da tecnologia de gestão TGC (ferramenta presente em mais de 57% das cabeças confinadas do Brasil, conforme o Beef Report da Abiec), o custo da ração na região despencou 9,38%, atingindo R$ 11,89 por cabeça ao dia, o segundo menor patamar de toda a série histórica. Contudo, o ganho de margem foi neutralizado pela perda de eficiência biológica: os animais ficaram mais tempo no cocho e entregaram menos carcaça, elevando o custo da arroba produzida em 11,07% (R$ 200,61) e derrubando a lucratividade média em 13,63%, para R$ 983,18 por cabeça.
Em contrapartida, os confinadores do Sudeste mantiveram o menor índice de custo alimentar pelo sexto mês consecutivo e viram o lucro da arroba avançar 1,59%, alcançando R$ 1.163,88 por cabeça, o melhor desempenho registrado desde abril. Com isso, a distância de lucratividade entre as duas praças saltou para R$ 180,70 por animal a favor do Sudeste, a maior diferença regional verificada em 2026. A vantagem se repetiu nas negociações voltadas ao mercado externo (boi padrão China), onde o Sudeste capturou R$ 1.235,16 por cabeça, contra R$ 1.026,13 apurados no Centro-Oeste.
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Dinâmica regional dos insumos no trimestre
No Centro-Oeste, a dieta total de terminação recuou 8,45% no mês, para R$ 1.022,62 por tonelada de matéria seca (MS), tornando-se mais barata que a do Sudeste (R$ 1.046,27 por tonelada de MS) pela primeira vez desde fevereiro. Na análise comparativa com o trimestre anterior (maio a julho), a composição da dieta revelou alívio acentuado nos concentrados:
Proteicos (-25,40%): O farelo de algodão operou 36,7% abaixo da média trimestral, somado ao avanço do WDG e à cotação do DDG na mínima anual;
Energéticos (-4,99%): O milho grão seco permaneceu 11,9% inferior à média recente, auxiliado pela retração de 9,3% na polpa cítrica;
Volumosos (+19,45%): Seguiram caminho oposto, pressionados por reajustes na silagem de milho (+10,9%), no feno (+14,9%) e na silagem de mombaça (+23,1%).
No Sudeste, os custos da ração fecharam o trimestre 5,04% abaixo da média, beneficiados pelo auge da safra canavieira:
Volumosos em queda (-12,53%): O avanço do bagaço de cana no mix representou o principal alívio financeiro para a dieta, atuando como ingrediente mais barato e abundante;
Energéticos (-2,86%): A polpa cítrica (-6,1%) e o sorgo em grão (-5,3%) ajudaram a amortecer a pressão do milho, que ainda operou 16,8% acima da média regional;
Proteicos (+1,51%): Apresentaram leve pressão de alta puxada pelo caroço de algodão (+10,6%), farelo de amendoim (+13,3%) e DDG (+3,1%).
O paradoxo entre tempo de cocho e peso de carcaça
A discrepância nos resultados financeiros decorre primordialmente do desempenho zootécnico dos lotes abatidos. No Centro-Oeste, o período de permanência no cocho aumentou de 99 para 107 dias, enquanto a produção física recuou de 8,08 para 7,81 arrobas por animal. Isolando apenas o custo nutricional, a arroba encareceu apenas 1,33% (de R$ 160,75 para R$ 162,90), provando que o restante do descompasso foi imposto pela despesa operacional de manter os animais confinados por mais oito dias sem resposta equivalente na balança.
Já no Sudeste, mesmo com os lotes permanecendo três dias a mais na estrutura (média de 103 dias), a produção de carne subiu de 7,59 para 7,92 arrobas por cabeça. A maior conversão manteve o custo da arroba estável em R$ 194,05 e preservou a remuneração final, mesmo sob uma cotação física de boi gordo ligeiramente menor no mês (R$ 341,00 contra R$ 326,50 do Centro-Oeste).
A queda de custos, contudo, melhorou a Relação de Troca do Centro-Oeste para 27,46 dias (segunda melhor marca da série), enquanto o Sudeste registrou sólidos 29,55 dias.
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