O volume de bovinos terminados em confinamento em Mato Grosso deve alcançar 1,33 milhão de cabeças em 2026, representando uma expansão de 43,41% na comparação com as 928,67 mil cabeças registradas no ano anterior. Os dados integram o 2° Levantamento de Intenções de Confinamento divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Entre os pecuaristas entrevistados em julho, 56,47% confirmaram adesão ao sistema intensivo, 38,82% optaram por não confinar e 4,71% permaneceram indecisos.
A expansão da atividade foi fortemente estimulada pelo alívio nos custos da dieta animal em relação à média de 2025:
Oferta curta e ciclo pecuário blindam arroba do boi em Goiás
Pecuária de Goiás sustenta preço da arroba mesmo com barreiras externas
Milho: recuo de 13,86% na saca, cotado a R$ 44,39;
Caroço de algodão: queda de 24,18%;
DDG: desvalorização de 15,60%;
Farelo de soja: redução de 2,47%.
Apesar do recuo nos grãos e coprodutos, a diária média do confinamento avançou para R$ 13,62 por cabeça (alta de 3,54% ante abril e 3,57% sobre 2025). O encarecimento é resultado direto da valorização dos animais de reposição: o preço do bezerro de 12 meses subiu 13,06% no comparativo anual. Esse quadro reflete a fase de retenção de matrizes — com o abate de fêmeas recuando 17,11% em julho —, o que piorou a relação de troca para 2,16 bezerros por boi gordo (queda de 6,09% no poder de compra do confinador).
Custos por escala e preocupações do produtor
O levantamento do Imea identificou oscilações no custo da arroba produzida conforme a escala operacional dos estabelecimentos:
Pequeno porte (até 1 mil cabeças): custo médio de R$ 220,50/@;
Médio porte (3.001 a 5 mil cabeças): maior custo apurado, alcançando R$ 235,00/@;
Grande porte (acima de 5 mil cabeças): média de R$ 223,13/@.
Na ordem de preocupações dos confinadores, o preço da reposição lidera com 23,76% das menções, seguido pelo valor da arroba do boi gordo (19,80%), incertezas políticas (15,84%), baixa rentabilidade da operação (10,89%) e conjuntura geopolítica externa (8,91%). A volatilidade da arroba em Mato Grosso — que bateu R$ 360,01 em abril, recuou a R$ 312,94 e fechou julho em R$ 324,17 — sustenta a cautela nos investimentos.
Concentração de abates e estratégias de proteção na B3
O calendário operacional prevê que 80,74% dos abates ocorrerão no segundo semestre, com forte concentração entre setembro e novembro, período que responde por 48,31% das entregas. O pico de oferta coincide com o esgotamento temporário da cota de importação de carne pela China, cujos embarques regulares devem ser retomados a partir do fim de outubro com foco no exercício de 2027.
Para mitigar os riscos de volatilidade nos preços na entrega dos lotes, os confinadores intensificaram o uso de mecanismos de gestão de risco:
Contratos a termo com frigoríficos: utilizados por 33,33% dos produtores, cobrindo 17,52% do gado projetado;
Hedge no mercado futuro da B3: adotado por 30,23% dos pecuaristas, garantindo trava de preços para 14,44% dos animais.
Embora registre crescimento de 43,41% sobre 2025, a projeção atual de 1,33 milhão de animais representa uma revisão para baixo de 7,71% em relação ao levantamento de abril (1,44 milhão de cabeças), evidenciando o ajuste do setor frente ao custo do boi magro.
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