Goiânia registrou a maior aceleração de preços entre todas as regiões metropolitanas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a prévia da inflação na capital goiana atingiu 0,95% em setembro, superando com folga a média nacional de 0,70%. A taxa local encabeçou o ranking brasileiro, seguida por Belo Horizonte (0,79%), Rio de Janeiro (0,77%), Brasília (0,76%) e Porto Alegre (0,75%). Na ponta oposta, as variações mais contidas foram observadas em Recife (0,44%), Salvador (0,50%) e Belém (0,51%).
Calculado a partir de uma metodologia idêntica à do índice oficial (IPCA), mas com janela de coleta que vai do dia 16 do mês anterior ao dia 15 do mês de referência, o IPCA-15 funciona como termômetro antecedente do comportamento do custo de vida.
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Em Goiânia, o resultado de 0,95% representou a segunda maior taxa para um mês de setembro desde o início da atual série histórica, iniciada em fevereiro de 2020 — superada apenas pelo índice de 1,10% registrado em setembro de 2020. No recorte de 2026, a marca mensal só não foi mais expressiva que a observada em maio (1,41%).
Com esse desempenho, o IPCA-15 de Goiânia acumula elevação de 4,30% no ano, acima dos 3,82% do Brasil. O distanciamento em relação ao cenário nacional torna-se ainda mais nítido na janela de 12 meses: a capital goiana acumula alta de 6,29%, ante 4,47% na média apurada para o país.
Energia elétrica residencial pressiona habitação
O grupo Habitação avançou 1,92% em Goiânia na prévia de setembro, taxa alinhada ao dado nacional (2,07%). O principal vetor de pressão foi a energia elétrica residencial, com salto de 6,38% no município, enquanto a alta média do país alcançou 7,42%. Apesar do avanço expressivo no mês, a tarifa domiciliar ainda acumula retração de 2,85% no ano na praça goianiense, em contraste com a elevação de 4,59% no consolidado nacional. No acumulado de 12 meses, contudo, o subitem exibe alta expressiva de 14,88% em Goiânia, frente a 2,83% no Brasil.
A trajetória ao longo de 2026 expõe a volatilidade das tarifas: após quedas consecutivas no início do ano e um recuo de 6,14% em agosto, o preço médio repiqueou em setembro. No contraponto tarifário, o gás de botijão recuou 1,06% na capital (contra queda de 0,23% no país), embora ainda acumule acréscimos de 1,90% no ano e de 3,74% em 12 meses em Goiânia (frente a 2,32% e 3,21% no Brasil).
Tomate dispara 31,99% e carnes encarecem
O grupo Alimentação e Bebidas avançou 1,04% em Goiânia, superando com folga o resultado médio nacional de 0,40%. O grande motor dessa escalada foi o tomate, cujo preço disparou 31,99% no mercado local, frente ao aumento de 20,76% no Brasil. Após quedas superiores a 20% em julho e agosto, o item acumula alta severa de 46,02% no ano em Goiânia e 43,08% na média nacional.
As carnes mantiveram pressão sobre a cesta alimentar, avançando 2,20% na capital e 1,30% no país, totalizando altas no ano de 8,49% e 7,85%, respectivamente. O arroz também registrou trajetória de alta, encarecendo 2,63% em Goiânia e 2,39% no país.
Amortecendo a alta dos alimentos no município, destacaram-se as retrações no feijão-carioca (-4,83%), no frango em pedaços (-1,96%) e no pão francês (-1,29%). No consolidado brasileiro, os itens variaram -6,33%, -1,16% e 0,26%, respectivamente. Apesar do recuo mensal, o feijão-carioca ainda sustenta uma das maiores pressões do ano, acumulando alta de 51,49% em Goiânia e 37,22% no país em 2026. Já o frango em pedaços acumula perdas de 5,02% na capital (e -4,23% no país), enquanto o pão francês recua 0,45% localmente, ante alta de 3,97% no Brasil.
Alívio em combustíveis não neutraliza serviços e transporte aéreo
Os combustíveis para veículos recuaram 0,20% em Goiânia, registrando a sétima taxa negativa nos nove meses transcorridos de 2026. O etanol hidratado caiu 0,61% e a gasolina cedeu 0,18%. Em nível nacional, o etanol também recuou (-0,22%), mas a gasolina subiu 0,30%, puxando o conjunto dos combustíveis para alta média de 0,22%. No acumulado do ano, os combustíveis avançam 2,43% em Goiânia (com gasolina em +4,47% e etanol em -9,78%), contra alta de 3,70% no Brasil (gasolina a +4,68% e etanol a -6,87%).
Outro item que ajudou a conter o grupo foi o automóvel novo, que apresentou retração de 0,95% em Goiânia, diante de recuo de 0,13% no país.
Ainda assim, o grupo Transportes fechou o mês com expansão de 0,66% na capital (acima dos 0,60% nacionais), puxado pelo reajuste nas passagens aéreas, que saltaram 16,48% em Goiânia (contra 9,82% no Brasil), e pelos custos de conserto de automóvel, que subiram 3,01% localmente (ante 0,70% no país). No acumulado de 2026, as passagens aéreas somam alta de 5,79% em Goiânia e 8,68% no Brasil, enquanto a manutenção automotiva já acumula inflação de 8,50% na capital e 6,40% no cenário nacional.
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