Cinco anos após o início das operações da Malha Central — tramo estratégico da Ferrovia Norte-Sul sob concessão da Rumo —, a companhia deflagra uma nova etapa de expansão da infraestrutura logística em Goiás. Desde a inauguração dos primeiros trechos, a operação consolidou a presença do modal ferroviário na matriz de transportes do estado, encurtando distâncias logísticas e integrando os polos agrícolas do Centro-Oeste aos maiores centros de consumo e aos principais corredores portuários de exportação do país. O foco da concessionária concentra-se agora em adensar o uso dessa malha, diversificar cargas industriais e avançar sobre fluxos historicamente rodoviários.
A evolução dos volumes movimentados confirma a mudança de escala operacional da ferrovia. Em 2021, primeiro ano de atividade, o tramo registrou 3,46 milhões de toneladas, saltando para 7,65 milhões de toneladas em 2022 — avanço superior a 100% em apenas doze meses. Em 2023, o volume atingiu 8,32 milhões de toneladas, mantendo-se em 8,37 milhões em 2024. O ritmo acelerou expressivamente em 2025, quando o fluxo alcançou 10,29 milhões de toneladas (+23%). No acumulado de janeiro a julho de 2026, a Malha Central já movimentou 6,58 milhões de toneladas, o correspondente a 64% de todo o total operado no ano anterior e praticamente o dobro do volume computado em todo o ano de 2021.
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O peso da Rumo nas cadeias agrícolas goianas reflete diretamente esse ganho de competitividade, com a concessionária respondendo atualmente por 24% de todas as cargas de soja e milho in natura originadas no território estadual e detendo expressivos 57% de market share no farelo de soja, o que consolida os trilhos como a principal rota de escoamento do derivado processado pela agroindústria local.
Essa presença ganha ainda mais relevância diante da forte pressão de safra, uma vez que, segundo dados da Secretaria de Agricultura de Goiás, a colheita goiana de soja 2025/26 está projetada no volume recorde de 20,1 milhões de toneladas e com produtividade média estimada em 3,9 toneladas por hectare — acima da média nacional de 3,7 t/ha —, coroando uma trajetória em que o rendimento agrícola do estado cresceu 15,6% e a produção física saltou 81,7% desde a temporada 2016/17.
Conexão intermodal e novos investimentos
Para um estado sem saída direta para a costa marítima, a integração entre a Malha Central, a Malha Paulista e os cais do Porto de Santos representa o principal mecanismo de mitigação do "Custo Brasil" no transporte de grandes volumes em longas distâncias. Contudo, a eficiência dos trilhos depende da capilaridade dos pontos de transbordo no interior produtor.
A consolidação desse modelo teve como marco a aliança operacional com a cooperativa Comigo, materializada na construção e operação do terminal multimodal de Rio Verde, estrutura que aproximou o trem dos cooperados e viabilizou o fluxo bidirecional de exportação de grãos e recepção de fertilizantes importados.
Dando continuidade ao plano de expansão regional, a Rumo planeja colocar dois novos terminais em operação até o encerramento de 2026. Entre os investimentos previstos estão a unidade de Palmeiras, empreendimento viabilizado em parceria com a Comigo e desenhado especificamente para a recepção, armazenagem e transbordo ferroviário de grãos e farelo de soja, além do terminal de Santa Helena, estrutura vocacionada para a movimentação e armazenagem de granéis líquidos, com foco no abastecimento regional de combustíveis e defensivos.
Juntas, essas novas estruturas reduzem o raio médio de transporte rodoviário entre as lavouras e a malha ferroviária, conferindo maior previsibilidade logística e eficiência operacional para tradings e produtores durante o escoamento da safra.
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