A importação de tilápia do Vietnã voltou ao centro das preocupações da piscicultura brasileira, reunindo alertas sobre impactos econômicos, concorrência desleal e riscos sanitários que podem comprometer o desenvolvimento da atividade no país. A avaliação é da Peixe SP, que aponta um cenário de pressão crescente sobre produtores nacionais.
Segundo a entidade, um dos principais problemas está na diferença de custos de produção. A tilápia importada chega ao mercado brasileiro com preços mais baixos, sem enfrentar a mesma carga tributária, exigências ambientais e custos elevados com ração, energia e licenciamento que pesam sobre os produtores locais. Esse desequilíbrio tem reflexo direto no campo, reduzindo a competitividade e comprimindo as margens da atividade.
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Nos últimos três meses, o Brasil importou mais de 3.500 toneladas de tilápia vietnamita, o que ampliou a oferta no mercado interno e contribuiu para a queda dos preços pagos ao produtor. Esse movimento afeta principalmente piscicultores de pequeno e médio porte, que passam a enfrentar dificuldades para manter a rentabilidade e a sustentabilidade da produção.
Além da questão econômica, o risco sanitário também preocupa. A entidade alerta para a possível entrada do Tilapia Lake Virus, vírus que já causou grandes perdas em outros países. O Vietnã, segundo a associação, enfrenta histórico de ocorrência da doença, que pode provocar mortalidade de até 90% nos peixes. No Brasil, o vírus ainda não foi registrado, o que reforça o alerta para a necessidade de controle rigoroso das importações.
A Peixe SP também destaca que a importação não se justifica do ponto de vista produtivo. O Brasil é atualmente o quarto maior produtor mundial de tilápia, com mais de 700 mil toneladas por ano, resultado de investimentos contínuos em tecnologia, genética e manejo. Nos últimos dez anos, a produção nacional cresceu mais de 58%, consolidando a atividade como uma das mais dinâmicas entre as proteínas animais.
Os impactos vão além da economia. A piscicultura tem papel importante na geração de renda e empregos no meio rural, especialmente em propriedades de menor escala. Para a entidade, a continuidade das importações pode comprometer o desenvolvimento da cadeia produtiva, reduzir investimentos e enfraquecer o cooperativismo em diversas regiões do país.
Diante desse cenário, a recomendação ao consumidor é verificar a origem do produto no momento da compra. A medida, segundo a associação, contribui para valorizar a produção nacional e fortalecer toda a cadeia da piscicultura brasileira.
