A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) divulgou posicionamento oficial manifestando forte apreensão diante do reajuste de 15% no programa Bolsa Família, concedido pelo governo federal. Na avaliação da entidade representativa do agro paulista, a decisão carrega características explícitas de manobra de cunho eleitoral, tendo sido oficializada a apenas duas semanas do primeiro turno das eleições e em descompasso com o equilíbrio das contas públicas nacionais.
O cerne da crítica reside na deterioração fiscal do país, cujo déficit primário já superou a barreira de R$ 1 trilhão. De acordo com estimativas do próprio Ministério do Planejamento e Orçamento, a medida representará um desembolso governamental complementar projetado em R$ 28,5 bilhões para o biênio 2026/2027, sem que tenha sido apresentada uma fonte estruturada de compensação orçamentária ou contrapartida de corte de despesas.
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A Faesp adverte que as consequências macroeconômicas atingirão com rapidez a atividade produtiva:
Pressão monetária: A expansão de gastos sem lastro atua como combustível para a aceleração dos índices de inflação, obrigando o Banco Central a manter ou elevar a taxa básica de juros (Selic);
Fuga de capital: O custo mais elevado do dinheiro encarece as linhas de crédito agrícola e retrai aportes em projetos industriais e de infraestrutura de longo prazo;
Cenário adverso: A entidade aponta o risco de o descontrole orçamentário arrastar o ambiente de negócios para uma "realidade de guerra", penalizando diretamente o setor produtivo e a renda da população.
A federação reiterou que não contesta a necessidade de suporte financeiro emergencial às camadas em situação de vulnerabilidade, mas defende que a concessão de benefícios esteja estritamente submetida às diretrizes da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O posicionamento institucional conclui que os programas de transferência de renda devem integrar políticas ativas de capacitação profissional e incentivo ao emprego formal, de modo a garantir mecanismos reais de emancipação financeira para os beneficiários.
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