A atividade econômica nacional iniciou o ano em trajetória de expansão, embora sob um ritmo de crescimento moderado. De acordo com dados oficiais compilados e analisados no relatório “Radar Macroeconômico”, elaborado pelo Departamento Econômico da Faesp (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo), o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil alcançou R$ 3,25 trilhões no primeiro trimestre de 2026. O indicador representa uma alta de 1,1% na comparação direta com o quarto trimestre do ano anterior e um avanço de 1,8% frente ao mesmo período de 2025. Pelo lado da oferta, a agropecuária foi o grande motor do crescimento trimestral, registrando uma expansão de 2,0%, enquanto o setor de serviços liderou a comparação interanual com incremento de 2,1%. Pela ótica da demanda, a sustentação do índice veio do consumo das famílias e do desempenho do setor externo.
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A expansão econômica encontra eco em um mercado de trabalho que permanece aquecido. No trimestre encerrado em abril, a taxa de desocupação fixou-se em 5,8%, patamar inferior ao registrado no mesmo intervalo do ano passado. Paralelamente, o rendimento real habitual dos trabalhadores atingiu R$ 3.732, consolidando um ganho real de 5,4% na comparação interanual. Essa melhora na massa salarial, contudo, divide espaço com o endividamento das famílias, que comprometeu 49,8% da renda acumulada nos últimos 12 meses.
Teto da meta estourado, juros altos e o peso da dívida pública
Apesar do ambiente favorável no emprego e na produção, a persistência inflacionária mantém o sinal de alerta ligado no Banco Central. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 4,72% em 12 meses até maio, ultrapassando novamente o teto da meta estipulada. O principal vetor de pressão inflacionária concentrou-se no grupo de alimentação no domicílio, impulsionado por fortes reajustes em itens básicos como batata, tomate e cebola. Diante disso, embora o Comitê de Política Monetária (Copom) tenha reduzido a taxa Selic para 14,25% ao ano na reunião de junho, o colegiado adotou um tom rígido e cauteloso quanto aos próximos passos da política monetária.
O equilíbrio fiscal do país também surge como um desafio estrutural de curto e médio prazo para a estabilidade dos mercados. Em abril, a dívida pública bruta do Brasil escalou para 80,2% do PIB, adicionando pressões sobre o risco fiscal e a sustentabilidade das contas do governo. Esse cenário de incerteza doméstica, somado à volatilidade do ambiente macroeconômico internacional, interrompeu a tendência de valorização que o real desenhava em maio. Como consequência, o mercado cambial registrou uma nova rodada de depreciação da moeda brasileira, fazendo o dólar comercial voltar a operar e oscilar na casa dos R$ 5,20 em meados de junho.
