A projeção de uma nova safra recorde nos campos brasileiros volta a movimentar o mercado de capitais e atrai a atenção dos investidores para os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagros). No entanto, o retorno obtido pelos cotistas depende estritamente do posicionamento e dos ativos presentes no portfólio de cada fundo, pondera a gerente de Fundos de Investimento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Soraia Barros.
Os Fiagros possuem estrutura regulatória flexível, permitindo alocações em títulos de crédito do agronegócio (como CRAs e CPRs), cotas de sociedades limitadas ou anônimas, direitos creditórios e imóveis rurais produtivos. "Uma produção maior pode beneficiar, por exemplo, negócios de armazenamento, transporte e comercialização de grãos. Ao mesmo tempo, o aumento da oferta pode pressionar os preços das commodities e afetar produtores ou operações de crédito mais expostas a eles", contextualiza Barros.
Confaz estende corte de ICMS para máquinas agrícolas até 2028
Governo de SP apoia renegociação de dívidas do agro contra perdas
A executiva lembra que esses veículos contam com equipes de gestão profissional dedicadas à seleção dos papéis, mensuração de riscos e acompanhamento sistemático de garantias reais. Esse monitoramento leva em consideração variáveis como clima, câmbio, custos de produção e a capacidade financeira dos emissores em honrar os pagamentos.
Pontos de atenção na seleção de Fiagros
Para auxiliar quem busca alocar capital no setor agropecuário com segurança, a Anbima elenca fatores centrais a serem investigados nos relatórios gerenciais:
Composição e exposição da carteira: Identificar se o patrimônio está concentrado em crédito (Fiagro-FIDC ou Fiagro-CRA), terras agrícolas (Fiagro-FII) ou participações corporativas (Fiagro-FIP). Esse diagnóstico revela a fonte primordial de receita do fundo e sua sensibilidade a oscilações de juros ou valorização da terra.
Perfil dos devedores e solidez das garantias: Em estruturas de crédito, é crucial verificar quem são os tomadores, se há penhor agrícola, alienação fiduciária de terras ou aval dos sócios. Em carteiras imobiliárias, pesam a idoneidade dos arrendatários e a localização das fazendas.
Nível de diversificação: Portfólios com excessiva exposição a uma única região, cultura agrícola ou grupo empresarial ficam mais vulneráveis a eventos climáticos extremos ou quebras localizadas.
Consistência das distribuições: A regularidade no pagamento de dividendos reflete a saúde operacional dos emissores. Deve-se avaliar se os proventos elevados decorrem de receitas recorrentes ou de ganhos de capital extraordinários e não repetíveis.
Aliar a análise das informações contábeis fornecidas pelas gestoras ao acompanhamento conjuntural do agronegócio permite ao investidor navegar pela volatilidade do mercado e selecionar teses financeiras que convertam o potencial produtivo da terra em rentabilidade consistente.
