A cafeicultura da região da Cuesta Paulista alcançou uma etapa decisiva para formalizar uma nova Indicação Geográfica (IG) no estado de São Paulo. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) publicou no Diário Oficial a Resolução SAA nº 70/2026, ato regulatório que valida o processo do Café da Cuesta Paulista na modalidade Denominação de Origem (DO) e estabelece a delimitação territorial exigida para a tramitação oficial do registro junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
A iniciativa, capitaneada pelo Sindicato Rural de Pardinho, engloba uma área contínua de 18 municípios paulistas: Avaré, Bocaina, Bofete, Botucatu, Brotas, Cerqueira César, Dois Córregos, Dourado, Itatinga, Itirapina, Jaú, Mineiros do Tietê, Pardinho, Pratânia, Ribeirão Bonito, São Manuel, São Pedro e Torrinha.
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Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, o aval governamental catalisa o desenvolvimento regional:
"Estamos falando de um território com enorme tradição agropecuária, onde gerações de produtores construíram conhecimento, qualidade e identidade. O reconhecimento desse trabalho é fundamental para agregar valor à produção, ampliar mercados e transformar as vocações regionais em desenvolvimento econômico e social."
A proposta reforça o portfólio paulista de produtos com certificação de origem, que já inclui polos consagrados como o Café da Alta Mogiana, da Região de Garça e de São Sebastião da Grama, as uvas de Jundiaí, os vinhos de São Roque e Espírito Santo do Pinhal e o Queijo da Mantiqueira de Minas. A modalidade Denominação de Origem estabelece um vínculo estrito entre o produto e o meio geográfico, considerando a combinação singular de clima, altitude, solo e técnicas humanas transmitidas por gerações.
"São três anos de trabalho junto aos produtores rurais e a conscientização sobre a importância dessa certificação. Não basta produzir um café de alta qualidade. É preciso mostrar, através de certificações, a excelência do produto, suas especificidades que o tornam tão especial. A singularidade do nosso solo, os saberes e os sabores que foram preservados e evoluíram com o tempo", detalha a presidente do Sindicato Rural de Pardinho, Daniella Pelosini.
Perfil sensorial e tradição desde 1860
A cultura do café no maciço da Cuesta teve início por volta de 1860, sustentando um histórico centenário associado a altitudes que variam entre 800 e 1.007 metros. A combinação de microclima ameno, relevo de encostas e solos específicos favorece a maturação uniforme das cerejas de café.
O dossiê técnico que alicerça o pedido ao INPI examinou 212 laudos laboratoriais de concursos regionais realizados ao longo de sete safras. A avaliação atestou uma média de 83,1 pontos nos critérios da Specialty Coffee Association (SCA), com expressivos 97,8% dos lotes enquadrados na categoria de cafés especiais. No aspecto sensorial, as bebidas evidenciam notas de caramelo, chocolate e castanhas, com acidez cítrica equilibrada e corpo aveludado.
A validação da área pela pasta estadual prepara o envio documental ao INPI, autarquia federal responsável pela análise final e concessão do selo definitivo. A expectativa das entidades é que a chancela impulsione o turismo rural, fortaleça a agregação de valor na torrefação regional e eleve a remuneração média de pequenos e médios cafeicultores.
