O agronegócio do estado de São Paulo registrou faturamento de US$ 2,17 bilhões em exportações em setembro de 2026, respondendo por 14,3% de todas as vendas externas do setor no país. Apesar do montante expressivo, o resultado representou uma retração de 14,6% em comparação a setembro de 2025. Os dados integram a 39ª edição do Relatório de Acompanhamento Mensal do Comércio Exterior, elaborado pelo Departamento Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) com base nos números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC/ComexStat).
Mesmo com o recuo na receita exportadora, o agro foi o garantidor do saldo estadual no comércio exterior: enquanto a balança comercial geral paulista amargou um déficit total de US$ 1,75 bilhão (com exportações globais de US$ 6,64 bilhões frente a importações de US$ 8,40 bilhões), o agronegócio de São Paulo entregou um superávit setorial de US$ 1,66 bilhão no mês.
Exportações ao Canadá batem recorde de US$ 5,7 bilhões
Exportações do agro gaúcho sobem 10% com soja e celulose
Açúcar e carnes pressionam o desempenho paulista
O principal freio sobre as receitas do campo paulista em setembro foi o desempenho dos seus carros-chefes de exportação:
Açúcar de cana em bruto: principal item da pauta estadual, registrou forte queda de 29,7% nas vendas externas em valor frente a setembro de 2025 (o refinado também recuou 2,2%);
Carne bovina in natura: anotou expressiva retração de 40,6%, reflexo do travamento das cotas tarifárias chinesas;
Carne de frango in natura: caiu 12,2% em faturamento.
Em sentido oposto, a cadeia sucroenergética encontrou alívio significativo no segmento de biocombustíveis. O álcool etílico (etanol) disparou 42,7% em receita, impulsionado por um salto de 55,8% no volume físico embarcado.
Outros derivados processados do agronegócio estadual também registraram expansão nas vendas em valor no comparativo anual:
Carne bovina industrializada: avanço de 41,1%;
Papel: crescimento de 29,6%;
Café solúvel: valorização de 24,3%;
Celulose: ligeira alta de 0,4%.
Pelo lado das importações, o setor agropecuário paulista adquiriu US$ 508,11 milhões em produtos do exterior em setembro (+6,2%), respondendo por 28,7% de todas as compras do agro nacional. O papel liderou as aquisições (alta de 19,5%), seguido por aumentos atípicos na compra de borracha natural (+113,8%), bacalhau (+236,6%), arroz (+39,1%) e salmões (+30,0%).
Balanço dos primeiros nove meses de 2026
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, o agronegócio paulista sustenta um superávit acumulado de US$ 15,6 bilhões, resultado de exportações totais de US$ 20,1 bilhões contra importações de US$ 4,47 bilhões (+2,9%). O volume faturado pelo setor, no entanto, acumula decréscimo de 6,4% em comparação ao mesmo período de 2025.
A China consolidou-se como o principal parceiro comercial das lavouras paulistas no ano, absorvendo 24,9% dos embarques, seguida pelos Estados Unidos, com fatia de 10,4%. Ambos os destinos, contudo, reduziram suas compras no ano: as vendas paulistas para o mercado chinês recuaram 2,5% e para o mercado norte-americano despencaram 24,8% nos nove primeiros meses.
Nas origens das importações estaduais do agro no acumulado do ano, a Argentina manteve a liderança com 13,6% das compras paulistas, seguida por Chile (12,2%), China (9,6%) e Estados Unidos (8,7%).
