Por meio de ganhos de produtividade por hectare, que geram o chamado efeito poupa-terra, o agronegócio brasileiro já mostrou que aumentar produção agrícola sem abertura de novas áreas é "modus operandi" do setor. Fazendo um recorte para os grãos, por exemplo, dados compilados pela Embrapa a partir de estatísticas oficiais mostram que, no intervalo entre 1974 e 2021, o rendimento médio das lavouras cresceu cerca de 2,69% ao ano. Em termos absolutos, a produtividade média saltou de 1,3 mil kg/ha, em 1974, para 3,7 mil kg/ha, em 2021, avanço de aproximadamente 183%, ou 2,8 vezes no período.
"Nos últimos 50 anos, saímos de importador de alimentos para país exportador. Em volume embarcado, o Brasil deve ultrapassar os Estados Unidos como o maior exportador mundial líquido de produtos agrícolas em 2027", assinalou o chefe-geral da Embrapa Territorial, Gustavo Spadotti, nesta quarta-feira (14), no Fórum Agro, realizado pelo Empresômetro e o IBPT, na capital paulista.
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Recente projeção do renomado jornal inglês "Financial Times" estima que o Brasil deve atingir este marco ainda em 2026. Em 2025, as exportações do agronegócio brasileiro atingiram o recorde de US$ 169,2 bilhões, alta de 3%, e responderam por 48,5% das vendas externas do país, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). "E tudo isso foi obtido com a manutenção em todo território nacional de 65% de vegetação nativa", ressaltou Spadotti, acrescentando, ainda, que da área total dos imóveis rurais no Brasil 51% são destinadas à produção e 49% à preservação ambiental. "É quase metade."
De acordo com o chefe-geral da Embrapa Territorial, são números desta magnitude que precisam ser mostrados à comunidade internacional. Há o desafio, claro, de alinhamento de métricas, mas sublinhou Spadotti, "sustentabilidade se prova com dados, é isso que nos dará respaldo para contestar barreiras comerciais, protecionismo disfarçados de questões técnicas de caráter ambiental".
Nesta jornada, Spadotti elencou que a elevada dependência da importação de fertilizantes - é preciso estimular a produção doméstica, habilitando novas áreas de mineração de nitrogenados e fosfatados - bem como aumentar o uso de bioinsumos -, além da infraestrutura logística [transporte e
