O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) marcou presença em São Paulo na edição do evento “O Agro é Delas”, iniciativa promovida pela revista Globo Rural e pelo jornal Valor Econômico. O encontro mobilizou produtoras, pesquisadoras, executivas e dirigentes rurais para debater temas centrais da agenda agropecuária, incluindo governança cooperativa, acesso a linhas de crédito, bioeconomia, inovação científica e sustentabilidade.
A conferência foi realizada no mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher Rural (15 de outubro), data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para dar visibilidade ao papel feminino na salvaguarda da segurança alimentar no planeta.
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A diretora adjunta de Saúde e Promoção Social do Senar, Erika Bömer, integrou a mesa redonda temática “Gestão e Saúde Mental”. Na oportunidade, a dirigente detalhou a evolução operacional do Programa Saúde no Campo, frente de trabalho criada pela entidade para levar triagem diagnóstica, prevenção de patologias e assistência médica continuada às comunidades do interior.
Desde a sua implementação, em maio de 2025, o projeto acumula resultados expressivos em território nacional, somando atendimento direto a mais de 25 mil propriedades rurais e cobertura assistencial a mais de 75 mil pessoas, entre produtores e colaboradores. Ao todo, a iniciativa já realizou mais de 200 mil visitas técnicas domiciliares, mobilizando um contingente superior a 880 técnicos de campo.
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Durante sua fala, Erika pontuou que o bem-estar no ambiente agropecuário transcende consultas clínicas tradicionais e demanda sensibilidade para ler as realidades geográficas e comportamentais de cada bacia produtiva:
"A saúde é reflexo do contexto, do território e da cultura. Precisamos compreender as pessoas, seus territórios, suas condições de vida e trabalho, seus hábitos, valores culturais, crenças e as possibilidades de acesso aos serviços de saúde."
Entre os principais obstáculos enfrentados pelas famílias do campo, a diretora enfatizou o isolamento geográfico dos grandes centros médicos, o envelhecimento demográfico da população rural e a alta incidência de enfermidades crônicas — como hipertensão arterial e diabetes —, que demandam consultas frequentes e rigor medicamentoso.
A executiva alertou ainda para as vulnerabilidades ocupacionais, agravadas pelo impacto de eventos climáticos severos e pressões econômicas de mercado, fatores que desencadeiam quadros de esgotamento e abalo psicológico. O tabu cultural em torno da procura por ajuda especializada também foi apontado como barreira a ser superada.
"Cuidar da saúde não é uma questão separada da atividade produtiva. É parte da sustentabilidade do campo", concluiu Erika Bömer.
