A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) reforçou a prioridade na defesa comercial, na sanidade do rebanho e na capacitação gerencial dos pecuaristas para blindar a sustentabilidade da bacia leiteira paulista. A estratégia foi o eixo condutor da reunião da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite, realizada de forma virtual e conduzida pelo presidente do Sindicato Rural de Piraju, Luiz Otávio Motta, reunindo lideranças da Federação, do Senar-SP e da Diretoria de Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado.
O setor produtivo paulista opera sob avanço tecnológico consistente. Em 2025, o Brasil alcançou produção recorde de 36,7 bilhões de litros de leite, com São Paulo respondendo por 1,5 bilhão de litros (4,1% do volume nacional). Mesmo registrando redução no tamanho do rebanho — avaliado pelo IBGE entre 1,0 milhão e 1,2 milhão de cabeças —, a produtividade por vaca avançou 8,3% no último ano, atestando o ganho de eficiência no manejo. Entre fevereiro e agosto de 2026, o preço pago ao produtor registrou recuperação próxima a 35%, embora os custos operacionais elevados e a concorrência desleal externa ainda comprimam o caixa das fazendas.
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Ofensiva contra o leite em pó importado e tramitação na alesp
O maior foco de preocupação da comissão técnica reside no fluxo contínuo de importações subsidiadas de leite em pó, originárias principalmente da Argentina e do Uruguai. O estado de São Paulo é a principal porta de entrada do produto no mercado doméstico, absorvendo aproximadamente um terço de todo o volume que ingressa no Brasil.
Diante do desequilíbrio concorrencial, a Faesp acompanha de perto duas frentes regulatórias:
Processo antidumping federal: capitaneado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), no qual o governo federal já atestou a prática de dumping; contudo, a cobrança das tarifas compensatórias permanece sobrestada durante avaliação de interesse público, cujo prazo para manifestações finais encerra-se em 26 de outubro.
Projeto de Lei nº 24/2026 na Alesp: proposta que veda a reconstituição de leite em pó importado no território paulista. O texto, que recebeu contribuições técnicas diretas da Faesp, já obteve aprovação nas comissões de Constituição e Justiça e de Atividades Econômicas, aguardando parecer da Comissão de Finanças.
Inquérito sanitário e lançamento do conexão leite paulista
No âmbito da sanidade, o médico-veterinário Breno Moscheta Welter, da Defesa Agropecuária estadual, detalhou dados preliminares do inquérito sanitário de 2024. O levantamento constatou queda expressiva nos focos de brucelose em território paulista, atribuída à adesão às campanhas de vacinação compulsória, enquanto os índices de tuberculose bovina permanecem estáveis.
A Faesp apresentou as demandas formuladas nos workshops da CNA para modernizar o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT). Entre os entraves relatados pelos produtores destacam-se a falta de frascos fracionados de tuberculina com menor dosagem e a carência de médicos-veterinários credenciados para laudos diagnósticos em comarcas do interior. Uma agenda técnica bilateral foi agendada para equacionar esses gargalos operacionais.
Como projeto de extensão para o próximo ano, a diretoria anunciou o Conexão Leite Paulista. O programa estruturará um circuito de seminários regionais e dias de campo em propriedades-modelo espalhadas pelas principais bacias do estado ao longo de 2027. Operacionalizada com o Senar-SP, a iniciativa levará consultoria de gestão, manejo nutricional, tecnologias de ordenha e análises de mercado diretamente aos médios e pequenos pecuaristas paulistas.
