Com a celebração do Dia Nacional da Pecuária, comemorado nesta quarta-feira (14), o papel desempenhado pela pecuária familiar ganha protagonismo no Rio Grande do Sul ao evidenciar um sistema produtivo que integra geração de renda, estabilidade social das famílias no campo e preservação ambiental. Com presença marcante na bovinocultura de corte e de leite, na ovinocultura, na suinocultura e na avicultura, o segmento representa uma das colunas socioeconômicas mais sólidas do interior gaúcho.
Conforme analisa Thais Michel, médica-veterinária e coordenadora de Projetos Ambientais da Emater/RS-Ascar, a pecuária extensiva bem conduzida atua como uma ferramenta biológica essencial para o equilíbrio ecológico:
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"A pecuária, quando associada ao manejo sustentável dos campos nativos, é uma importante aliada da conservação do Bioma Pampa. O pastejo adequado contribui para a manutenção da vegetação campestre, da biodiversidade e dos processos ecológicos desses ambientes. Valorizar a pecuária familiar é também reconhecer o papel fundamental dos produtores rurais na conservação dos campos nativos, conciliando produção de alimentos, geração de renda e conservação ambiental."
O modelo ganha expressão prática em regiões como a Campanha, Zona Sul, Campos de Cima da Serra, Depressão Central e Fronteira Oeste. Nessas faixas, o pastejo rotacionado e a lotação ajustada aos campos nativos impedem a degradação da flora campestre e evitam o avanço de processos erosivos, perpetuando as características fisionômicas do Pampa.
Assistência técnica, qualificação de rebanhos e gargalos no campo
Em função da relevância ambiental e social da atividade, a Emater/RS-Ascar estrutura programas contínuos de extensão rural e difusão de tecnologia voltados aos criadores familiares. Em cooperação com universidades e centros de pesquisa, a entidade promove capacitações focadas no manejo nutricional de pastagens naturais, seleção genética e reprodução animal, sanidade preventiva e agregação de valor às cadeias de carne, leite e ovinos.
A atuação abrange ainda o apoio à comercialização em feiras e exposições agropecuárias regionais, além da elaboração técnica de projetos para enquadramento em linhas do crédito rural voltadas à agricultura familiar (Pronaf).
Apesar dos avanços zootécnicos, os produtores enfrentam desafios operacionais recorrentes. Entre as demandas prioritárias levantadas pelas famílias estão o acesso a tecnologias de manejo compatíveis com a escala das pequenas propriedades, o controle eficiente de ecto e endoparasitoses e alternativas seguras de suplementação alimentar para os períodos críticos de inverno. Fatores de infraestrutura básica, como a regularidade no fornecimento de energia elétrica, malha vicinal transitável para o transporte e serviços de saúde, permanecem como gargalos estruturais que influenciam diretamente a qualidade de vida e a sucessão familiar nas propriedades do Rio Grande do Sul.
