A utilização de biotecnologias da reprodução assistida para pulverizar as parições ao longo dos doze meses e estancar a tradicional sazonalidade na captação de leite será um dos eixos centrais do 18º Encontro Brasileiro de Bubalinocultores. Organizado pela Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB), o evento ocorre entre os dias 24 e 27 de novembro no Costão do Santinho Resort, em Florianópolis (SC), reunindo criadores, industriais e pesquisadores de todo o país.
A grade técnica do dia 25 de novembro concentrará duas abordagens focadas em genética e reprodução, avaliando a viabilidade financeira e os ganhos zootécnicos dessas ferramentas no rebanho leiteiro comercial.
Turismo rural ganha força no PR após premiação de queijaria
Doce de leite mineiro agrega valor e movimenta R$ 24 milhões
Nova portaria da Adapar libera venda de queijo artesanal de leite cru
A palestra "Tópicos em Reprodução de Búfalos" será conduzida pelo professor titular da Universidade de São Paulo (USP), Pietro Baruselli. O pesquisador detalhará como a integração entre genômica, testes de progênie e programas de melhoramento permite identificar matrizes e reprodutores superiores, multiplicando linhagens de alta performance por meio de inseminação artificial (IA) e transferência de embriões (TE). Conforme Baruselli, a TE dobra o progresso genético por combinar simultaneamente os melhores machos e fêmeas da fazenda.
Quebra do anestro estacional e suprimento industrial
O ponto nevrálgico do debate técnico reside na mitigação da estacionalidade reprodutiva inerente à espécie. As búfalas concentram a atividade ovulatória nos meses de outono, entrando frequentemente em anestro (ausência fisiológica de cio) durante a primavera. O descompasso biológico resulta em picos concentrados de ordenha seguidos por períodos de vazio produtivo, penalizando o planejamento operacional das queijarias e indústrias de laticínios especiais.
A adoção de protocolos hormonais de sincronização quebra essa dependência do fotoperíodo, viabilizando prenhezes programadas em épocas que antes inviabilizavam a monta natural.
"Essas técnicas, além de multiplicar indivíduos de alto valor genético, possibilitam distribuir os partos das búfalas durante o ano para que as indústrias tenham leite continuamente", ressalta Pietro Baruselli.
A apresentação do professor da USP reunirá ainda números consolidados sobre a rentabilidade líquida proporcionada pela regularização da curva de lactação e pelo aumento do teor de sólidos no tanque.
Da bovinocultura de elite para os currais de búfalos
Na sequência, o tema "Fertilização In Vitro e Clonagem Animal: Tecnologia, Resultados e Mercado" será apresentado pelo médico-veterinário Leonardo Tondello Martins, fundador e diretor executivo da Fortgen FIV Clonagem. Com mais de duas décadas de atuação em FIV e 16 anos em clonagem, Martins traçará paralelos com a pecuária de corte e leite tradicional, onde esses métodos já são rotineiros, demonstrando os caminhos para popularizar a biotecnologia entre os criadores de búfalos.
"Entendo que é interessante apresentar essas tecnologias de forma mais simplificada, em uma linguagem direcionada ao criador de búfalos", destaca Martins.
O médico-veterinário apresentará ainda o panorama comercial da reprodução assistida no Brasil, destacando o mercado consolidado de clonagem na raça Nelore de elite e indicando como a replicação de matrizes bubalinas provadas para volume e sólidos lácteos pode acelerar a formação de rebanhos de alto rendimento industrial.
