A modernização curricular da educação profissional no campo e os desafios colocados pelas transformações climáticas e pela convivência com grandes empreendimentos econômicos pautarão o 41º Encontro Estadual de Professores de Ensino Agrícola. O evento, organizado pela Associação Gaúcha de Professores Técnicos de Ensino Agrícola (Agptea), ocorrerá de 25 a 28 de novembro no município de Caçapava do Sul (RS), reunindo educadores de todo o estado para debater o avanço dos bioinsumos, a gestão ambiental do solo, a convivência com a mineração e o futuro das políticas públicas para o setor.
A escolha de Caçapava do Sul como sede visa aproximar a discussão pedagógica dos desafios práticos vivenciados na região. O presidente da Agptea, Fritz Roloff, pontua que a formação dos novos técnicos agrícolas precisa refletir as exigências ecológicas contemporâneas:
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"Para as escolas agrícolas, isso é especialmente relevante, porque precisamos nos adequar a uma nova postura e a uma nova forma de olhar o meio ambiente e o ecossistema. A natureza está exigindo mais observação e cuidado", destaca Roloff.
Bioinsumos, prática pedagógica e o futuro das escolas técnicas
A abertura oficial, agendada para 25 de novembro, terá palestra do ex-reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Paulo Afonso Burmann, sobre inclusão social e representatividade. No dia 26, a programação técnica ganha corpo com um painel da Superintendência da Educação Profissional do Rio Grande do Sul (Suepro) e uma conferência sobre bioinsumos, inovação e capacitação técnica ministrada por Caroline Wesp, docente da Faculdade de Agronomia da UFRGS. Os educadores também realizarão visita orientada às instalações da Escola Técnica Estadual Rubens da Rosa Guedes (ETERRG), conhecendo setores produtivos e práticas pedagógicas da instituição.
Diante da transição política e das mudanças na gestão estadual, a entidade buscará dialogar com a nova equipe designada para conduzir a pasta da educação no Rio Grande do Sul. O objetivo, segundo Roloff, é antecipar diretrizes curriculares, investimentos estruturais e o modelo de governança para as escolas agrícolas nos próximos anos.
Minas do Camaquã: o legado mineral e novos centros vocacionais
No dia 27 de novembro, as atividades serão transferidas para as históricas Minas do Camaquã. O painel “O legado da mineração no Rio Grande do Sul” reunirá Paulo Serpa (gerente nacional da Lavras Gold), Diego Boeira (gerente de projetos da Águia Fertilizantes) e o historiador José Deni Rodrigues Silveira para discutir a exploração mineral sustentável, o fornecimento de matérias-primas para remineralizadores e a preservação de recursos hídricos e do solo. A cadeia da noz-pecã também estará em evidência em palestra conduzida por Edson Ortiz, da Divinut.
Na mesma localidade, a comitiva visitará uma área pertencente à Agptea projetada para abrigar um futuro centro de formação de jovens e adultos com foco em fruticultura de clima temperado e agroindústria familiar, especialmente nos segmentos de olivicultura e pecanicultura. A intenção da entidade é transformar o espaço em um laboratório a céu aberto que sirva de apoio prático à rede de ensino técnico do estado.
