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Exportações do agro gaúcho caem em fevereiro, apesar da alta do arroz

Foto do autor Francieli Galo
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Exportações do agro gaúcho caem em fevereiro, apesar da alta do arroz
Mesmo com forte avanço nos embarques de arroz, o agronegócio gaúcho registrou queda nas exportações em valor e volume em fevereiro.

Levantamento divulgado pela Farsul nesta sexta-feira (20) mostra recuo no valor e no volume embarcados pelo Rio Grande do Sul, com perdas puxadas por soja, trigo e fumo

As exportações do agronegócio do Rio Grande do Sul recuaram em fevereiro de 2026, e nem o forte avanço nos embarques de arroz foi suficiente para impedir a queda no desempenho geral do setor. Dados divulgados pela Farsul nesta sexta-feira (20/03) mostram que, na comparação com o mesmo mês de 2025, houve redução de 14,4% no valor exportado e de 19,5% no volume embarcado, refletindo principalmente a menor oferta de grãos no mercado, com destaque para a soja, além de uma base elevada de comparação no trigo.

No período, o agronegócio gaúcho exportou US$ 881,7 milhões, ante US$ 1,03 bilhão em fevereiro do ano passado. Em volume, os embarques somaram 1,55 milhão de toneladas, abaixo das 1,92 milhão de toneladas registradas em fevereiro de 2025.

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Agronegócio respondeu por quase 70% das exportações do Estado

Mesmo com a retração, o agronegócio manteve forte participação no comércio exterior gaúcho. O valor total exportado pelo Rio Grande do Sul em fevereiro foi de US$ 1,26 bilhão, com o setor agropecuário respondendo por 69,8% desse montante, o equivalente a US$ 881,7 milhões.

Em termos de volume, a presença do agro foi ainda mais expressiva. Das exportações totais do Estado no mês, 88,3% vieram do agronegócio.

O resultado reforça a relevância do setor para a balança comercial gaúcha, mesmo em um mês marcado por perdas importantes em segmentos estratégicos.

Arroz tem desempenho expressivo e evita recuo ainda maior

Entre os destaques positivos de fevereiro, o arroz teve o melhor desempenho entre os principais produtos exportados pelo Estado. Na comparação com fevereiro de 2025, o grão registrou alta de 106,7% em valor e de 284,2% em volume.

Os embarques foram direcionados principalmente para México, Senegal, Venezuela e Costa Rica, mostrando maior absorção do produto no mercado externo.

Apesar disso, o bom resultado não foi suficiente para reverter o cenário negativo do mês. Ainda assim, o desempenho do arroz ajudou a evitar uma queda ainda mais acentuada nas exportações do agronegócio gaúcho.

Em um contexto de baixa liquidez no mercado interno e de insatisfação dos produtores com os preços domésticos, o avanço das exportações reforça a importância do mercado externo para absorver a oferta do cereal.

Soja, trigo e fumo puxaram as perdas do mês

Do lado negativo, as principais quedas de valor se concentraram na soja em grão, no trigo e no fumo manufaturado. No caso da soja e do trigo, esses produtos também tiveram peso importante na redução do volume total exportado.

Segundo a análise da Farsul, a soja sofreu recuo expressivo em razão da baixa disponibilidade do grão no fim da entressafra, além da ausência de embarques para o Irã, que impactou diretamente o desempenho do produto.

No trigo, a queda no volume ocorreu mesmo sem alteração relevante na demanda, o que pode indicar uma perda de espaço do cereal gaúcho no mercado internacional.

Já o fumo e derivados tiveram retração de 20,3% no valor exportado, mas recuo de apenas 0,7% no volume, o que aponta para deterioração nos preços médios e uma combinação menos favorável de produtos e mercados ao longo de fevereiro.

Proteínas tiveram desempenho misto, com destaque para bovinos e suínos

No segmento de proteínas, o desempenho foi heterogêneo, mas com alguns avanços relevantes.

As vendas de boi vivo cresceram 23,4% em valor e 24,2% em volume na comparação anual, com a Turquia mantendo-se como principal destino e com a entrada do Egito entre os compradores.

A carne bovina também apresentou resultado positivo, com alta de 31,3% em valor e de 8,5% em volume. A China seguiu como principal mercado, enquanto os avanços em Rússia e Jordânia ajudaram a compensar os recuos nas vendas para os Estados Unidos.

Já a carne de frango registrou queda de 5,8% no valor e de 12,4% no volume. Segundo a Farsul, dificuldades comerciais e logísticas em mercados do Oriente Médio e do Norte da África pesaram sobre o desempenho do setor.

Na carne suína, as Filipinas reforçaram sua posição como principal destino do produto. O segmento teve crescimento de 21,1% em valor e de 22,4% em volume, contribuindo para sustentar parte dos resultados positivos dentro da cadeia de proteínas.

Produtos florestais também recuaram em fevereiro

Outro grupo que apresentou retração foi o de produtos florestais. No mês, o setor teve queda de 11,6% no valor exportado e de 5,5% no volume, com recuos concentrados principalmente em celulose e madeira serrada.

O desempenho reforça que a perda de ritmo nas exportações gaúchas não ficou restrita aos grãos, atingindo também outros segmentos relevantes da pauta exportadora do Estado.

Exportações aos Estados Unidos caem em valor, mas sobem em volume

Em meio ao cenário de tensão comercial envolvendo os Estados Unidos, as exportações do agronegócio gaúcho para o mercado norte-americano recuaram 4,6% em valor, passando de US$ 65 milhões para US$ 62 milhões.

Por outro lado, houve avanço de 15,7% no volume embarcado, que subiu de 47,8 mil toneladas para 55,3 mil toneladas.

O comportamento indica uma redução no valor médio dos produtos exportados ou uma mudança no perfil da pauta embarcada para o país, ainda que o mercado norte-americano siga entre os principais parceiros comerciais do Estado.

Ásia segue como principal destino das exportações gaúchas

No recorte por regiões, a Ásia (exceto Oriente Médio) permaneceu como o principal destino das exportações do agronegócio gaúcho em fevereiro, somando US$ 367,7 milhões e 690 mil toneladas embarcadas.

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