Paraná ganha plataforma para reforçar manejo da cigarrinha-do-milho
Ferramenta desenvolvida com apoio do Sistema FAEP reúne dados de monitoramento em tempo real e oferece mais precisão na tomada de decisão sobre o manejo de uma das principais pragas do milho
Desde fevereiro, os produtores rurais do Paraná contam com uma nova aliada no combate à cigarrinha-do-milho, uma das principais pragas da cultura no Estado. A plataforma CigarrinhaWeb centraliza informações do monitoramento do inseto e oferece uma base de dados que permite mais assertividade na definição das estratégias de manejo e controle nas lavouras.
A ferramenta foi desenvolvida para acompanhar a presença do inseto transmissor do complexo de enfezamentos, conjunto de doenças que pode provocar perda de produtividade, redução da qualidade dos grãos e, em casos mais severos, até o tombamento das plantas.
Ferramenta reúne dados e melhora decisão no campo
Com a nova plataforma, produtores e técnicos passam a ter acesso a um panorama mais confiável da distribuição e da densidade populacional da cigarrinha-do-milho no Paraná.
Na prática, isso permite uma leitura mais precisa do comportamento da praga em diferentes regiões do Estado, ajudando o agricultor a decidir o melhor momento e a melhor estratégia para o manejo.
Além do acompanhamento em tempo real, o sistema também armazena uma série histórica de dados, criando uma base que pode ser usada futuramente em pesquisas e no aperfeiçoamento das estratégias de controle.
Monitoramento em tempo real pode reduzir perdas e custos
A cigarrinha-do-milho é hoje uma das maiores preocupações dos produtores da cultura, especialmente diante dos prejuízos provocados pelos enfezamentos.
Segundo o Sistema FAEP, apoiar o desenvolvimento da plataforma significa dar ao produtor acesso a informações atualizadas, com mais transparência e agilidade no monitoramento da praga. A avaliação é que esse tipo de ferramenta transforma conhecimento técnico em uma solução prática para proteger a produção e reduzir impactos econômicos nas lavouras.
O potencial econômico da iniciativa também chama atenção. De acordo com dados apresentados pela Fundação Araucária, apenas com defensivos, os gastos para o combate à cigarrinha-do-milho chegaram a US$ 76 milhões em 2024. Nesse contexto, mesmo um ganho parcial de eficiência no manejo pode representar economia relevante ao produtor e ao setor.
Paraná se destaca com iniciativa estruturada
A CigarrinhaWeb coloca o Paraná entre os estados com ações mais estruturadas de monitoramento de uma das principais pragas da cultura do milho.
A plataforma é resultado do trabalho da Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada – Complexo de Enfezamento do Milho (Rede CEM), formada pelo Sistema FAEP, Fundação Araucária, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
A iniciativa reforça o protagonismo do Estado em soluções voltadas à sanidade vegetal e ao uso de dados no manejo agrícola, especialmente em uma cultura de grande importância econômica como o milho.
Mapa interativo mostra capturas em diferentes regiões
Na prática, a plataforma funciona por meio de um mapa interativo, que exibe a localização das armadilhas adesivas instaladas em diferentes regiões do Paraná.
O sistema informa o número de insetos capturados em cada ponto monitorado, com atualizações semanais, permitindo que produtores, técnicos e pesquisadores acompanhem a evolução da praga ao longo do tempo.
Com isso, dados que antes ficavam restritos a produtores ou instituições isoladas passam a ser consolidados e disponibilizados publicamente em um ambiente digital, ampliando o acesso à informação e fortalecendo a tomada de decisão no campo.
Paraná é o único a disponibilizar dados em plataforma pública
O uso de armadilhas adesivas para monitorar a cigarrinha-do-milho não é novidade e já é considerado um método consolidado no manejo da praga.
O diferencial do Paraná está justamente na organização e na disponibilização pública desses dados por meio de uma plataforma digital interativa.
Segundo o Sistema FAEP, o Estado é o único a consolidar esse tipo de monitoramento em uma ferramenta pública e estruturada, o que amplia a transparência e fortalece o planejamento técnico nas propriedades.
Sistema FAEP já atua há anos na orientação aos produtores
Antes mesmo do lançamento da plataforma CigarrinhaWeb, o Sistema FAEP já vinha desenvolvendo ações voltadas à orientação dos produtores sobre o enfrentamento da cigarrinha-do-milho.
Uma dessas iniciativas foi a cartilha “Manejo da cigarrinha e enfezamentos na cultura do milho”, elaborada em parceria com a Embrapa Milho e Sorgo.
O material reúne orientações práticas para ajudar o agricultor a identificar o inseto, reconhecer os sintomas causados pelas doenças transmitidas pela praga e adotar medidas de controle. A publicação é gratuita e está disponível no site do Sistema FAEP.
Curso reforça manejo integrado de pragas no milho
Além da cartilha, o Sistema FAEP também oferece o curso “Manejo Integrado de Pragas (MIP) – Milho”, voltado à necessidade de monitorar a lavoura e identificar corretamente a presença da cigarrinha.
A proposta é reforçar junto ao produtor a importância do acompanhamento constante da área e da adoção de estratégias técnicas para reduzir o impacto da praga sobre a produtividade.
Com a chegada da plataforma, esse trabalho de orientação ganha um novo reforço, ao unir informação em campo, monitoramento regionalizado e dados públicos para apoiar decisões mais rápidas e eficientes no manejo da cultura.
Tecnologia fortalece defesa da produção de milho no Paraná