Há mais de três décadas, a Emater Goiás desenvolve pesquisas com o pequi, fruto símbolo do Cerrado, para ampliar o conhecimento sobre a espécie e contribuir para o aprimoramento do cultivo. Um dos avanços mais recentes foi registrado na Estação Experimental de Porangatu, onde clones de pequi com e sem espinhos apresentaram os primeiros frutos cerca de três anos e meio após o plantio.
A equipe de pesquisa da instituição esteve na unidade para avaliar o desenvolvimento das plantas e realizar o plaqueamento das árvores, etapa que contribui para a identificação e o acompanhamento dos experimentos. Os resultados reforçam o potencial do uso de clones para reduzir o tempo até o início da produção e oferecer maior previsibilidade quanto às características dos frutos.
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De acordo com a pesquisadora da Emater/Go, Elainy Botelho, o cultivo por meio de clones permite reproduzir características desejáveis de uma planta selecionada. Já no plantio por sementes, há maior variabilidade tanto no tempo necessário para o início da produção quanto nas características dos frutos.
Na avaliação realizada em Porangatu, os clones começaram a produzir em aproximadamente três anos e meio. No cultivo tradicional por sementes, o tempo para a frutificação pode ser muito maior, chegando até 20 anos, conforme as condições de desenvolvimento da planta.
Pesquisa exige manejo adequado
Os resultados alcançados na Estação Experimental de Porangatu também evidenciam a importância do manejo adequado para o desenvolvimento das plantas. Segundo Elainy Botelho, o desempenho dos clones está diretamente relacionado ao cumprimento de um protocolo de cuidados, que inclui espaçamento, adubação, irrigação e capinação, entre outras práticas.
“Muitos pensam que apenas plantar é suficiente, e que o resto do trabalho se faz sozinho. Não é assim: é preciso um cuidado especial e constante para garantir bons resultados”, explica a pesquisadora.
Mais de três décadas de pesquisa com o pequi
A pesquisa da Emater Goiás com o pequi tem como uma de suas principais estruturas o maior banco de germoplasma da espécie no mundo. Há mais de 30 anos, a instituição mantém uma coleção com mais de 1.600 pequizeiros, representando centenas de variedades identificadas na natureza. Por meio de técnicas de enxertia e reprodução assexuada, as plantas são multiplicadas e conservadas nas unidades de pesquisa de Goiânia, Anápolis, Porangatu e Araçu, permitindo estudar e comparar características de interesse para o desenvolvimento da cultura.
O trabalho também já resultou no lançamento de seis variedades de pequi, em 2022, em parceria com a Embrapa Cerrados: três com espinhos e três sem espinhos. A seleção amplia as alternativas disponíveis para o cultivo e fortalece as perspectivas de produção de mudas com características conhecidas, atendendo a diferentes demandas de produtores rurais.
Além de conservar e estudar a diversidade genética do pequi, a Emater atua na disseminação desse conhecimento, com apoio a viveiristas e produtores e orientação técnica para a implantação e o manejo dos pomares. A iniciativa busca ampliar o acesso a mudas de qualidade e contribuir para que os resultados de mais de três décadas de pesquisa se convertam em oportunidades de produção e renda no campo, valorizando uma espécie nativa de grande importância econômica, cultural e ambiental para o Cerrado.
