O mercado de lacticínios no Brasil apresenta espaço viável e rentável para diferentes escalas de produção, permitindo que explorações de menor dimensão atendam à procura regional com elevada competitividade e margens atrativas. Esta perspetiva estruturará a apresentação do economista e investigador Paulo do Carmo Martins, antigo diretor da Embrapa Gado de Leite, agendada para 14 de outubro no âmbito do Milk Summit Mercosul, que se realizará no município de Ijuí (RS).
Sob o mote "O futuro do leite chegou, e agora?", a conferência pretende desmistificar a premissa de que apenas as megaestruturas confinadas conseguem prosperar no setor lácteo. A chave para a sustentabilidade económica das pequenas e médias propriedades reside na disciplina financeira, na redução contínua dos custos operacionais, no incremento dos índices de produtividade por vaca e na obsessão pela qualidade físico-química da matéria-prima entregue à indústria ou processada na agroindústria própria.
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O especialista salienta a importância de encarar a propriedade como uma unidade empresarial ativa no mercado: "Não dá para ser um produtor sem negociar, muito se fala da produção e pouco dos negócios. Os produtores estão a evoluir a olhos vistos. Conversam entre si, procuram informações técnicas e económicas."
Para ilustrar este dinamismo comercial, Martins utilizará a narrativa de dois jovens empreendedores locais — um focado na atividade primária de produção e outro na transformação industrial através de um laticínio regional —, demonstrando as intersecções, as pressões financeiras e as soluções práticas de cooperação que surgem ao longo da cadeia produtiva.
No plano macroeconómico, o investigador defende a urgência de afastar o produto fluido da vala comum das commodities indiferenciadas, estimulando nichos de valor acrescentado com identidade territorial e tipicidade. Para Martins, a sustentabilidade da atividade requer remunerações compatíveis com as exigências sanitárias, demandando uma integração mais harmoniosa entre produtores e processadores para blindar o setor e incorporar inovações validadas internacionalmente.
O Milk Summit Mercosul 2026 é promovido conjuntamente pelo Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat), Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do RS (Seapi), Município de Ijuí, Emater/RS-Ascar, Sebrae/RS, Suport D’ Leite e Impulsa Ijuí.
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