A expertise brasileira no desenvolvimento de soluções científicas para a agricultura tropical mobilizou missões técnicas de três continentes ao longo do mês de setembro. A sede da Embrapa Cerrados, no Distrito Federal, foi o ponto de convergência para comitivas internacionais da África, Ásia e Europa interessadas em absorver parâmetros práticos sobre saúde do solo, bioinsumos, modelagem climática territorial e sistemas produtivos integrados. As agendas envolveram lideranças do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), pesquisadores ligados ao Ministério da Agricultura da Rússia e cientistas da China Agricultural University (CAU).
A agenda com a África articulou uma missão de estudos de diretores regionais do BAD em cooperação direta com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC). O grupo percorreu as unidades da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Embrapa Agroenergia e Embrapa Cerrados com o objetivo de mapear modelos aplicáveis à garantia da segurança alimentar no continente africano. Entre os eixos analisados destacaram-se o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), a recuperação de áreas degradadas e metodologias de governança hídrica sustentável, a exemplo do Projeto Produtor de Água do Pipiripau. Os delegados também vistoriaram os campos de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) para analisar a viabilidade de adaptação da tecnologia às condições edafoclimáticas do Hemisfério Sul.
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Cooperação científica com a Rússia e intercâmbio acadêmico com a China
No eixo europeu, a unidade recebeu especialistas do Centro Russo de Monitoramento de Terras Agrícolas (Rosselkhozzemmonitoring) e do Serviço Agroquímico da Rússia (Rosselkhozkhimsluzhba), órgãos estatais subordinados ao Ministério da Agricultura russo. A missão avaliou sistemas de preservação da fertilidade do solo, com foco na dinâmica de Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) na soja e na intensificação produtiva em consórcios agrossilvipastoris. Conforme detalhou a assessora técnica do Rosselkhozzemmonitoring, Ekaterina Lazareva, a aproximação visa conectar a experiência russa em contenção de desertificação e monitoramento químico de terras à tecnologia de manejo de biologia do solo desenvolvida pelo Brasil.
A delegação asiática, por sua vez, reuniu docentes e pesquisadores da China Agricultural University (CAU), instituição que mantém convênio de pós-graduação em Fitotecnia com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP). O corpo acadêmico chinês — focado em genética, sanidade vegetal e biologia do solo — buscou aprofundar parcerias científicas que ultrapassem a dinâmica comercial de compra e venda de grãos.
O coordenador do consórcio pela Esalq/USP, professor Durval Dourado Neto, enfatizou a relevância estratégica da aproximação técnica entre os dois países:
"Essa comitiva de professores chineses tem muito interesse na área de fitotecnia, melhoramento genético, ciência do solo e interação com as plantas. Brasil e China já são parceiros econômicos muito importantes. A China é o nosso maior parceiro comercial, mas na área científica da agricultura ainda há um caminho a avançar. A ideia de trazer essa comitiva de uma das universidades mais bem ranqueadas do mundo é aproximar os grupos de pesquisa, entendendo que a Embrapa é um parceiro estratégico com interesse mútuo na agricultura tropical."
