Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, as cotações do trigo no mercado brasileiro mantiveram sustentação firme ao longo de outubro, descolando-se da tendência de retração registrada nas bolsas e portos internacionais. A perspectiva de uma colheita robusta na Argentina, aliada ao ritmo mais lento das exportações dos Estados Unidos, aumentou a pressão baixista sobre as referências globais do cereal na última semana. No ambiente doméstico, contudo, a baixa disponibilidade de matéria-prima com padrão tecnológico adequado para processamento industrial manteve as cotações valorizadas, sobrepondo-se à maior competitividade do trigo importado.
No cenário sul-americano, a Bolsa de Comércio de Rosário revisou para cima a estimativa da safra argentina 2026/27, elevando a projeção de 21 milhões para 23,8 milhões de toneladas. Caso o volume seja confirmado pelas condições meteorológicas até o encerramento do ciclo, o país vizinho colherá a segunda maior safra dos últimos 17 anos, ampliando a oferta exportável no bloco regional.
Brasil deve importar até 10 milhões de t de trigo em 2027
Chuva prejudica trigo e restringe oferta de grão de qualidade
Predomínio de trigo para ração e reflexo nos moinhos
A sustentação das cotações nas praças brasileiras decorre da composição qualitativa das lavouras recém-colhidas. De acordo com informações de colaboradores de mercado do Cepea, parcela expressiva do cereal obtido nas lavouras nacionais foi classificada com padrão feed, destinado à formulação de ração animal. Esse perfil comercial tem sido canalizado prioritariamente para o comércio exterior, reduzindo a oferta interna voltada ao abastecimento das indústrias moageiras de farinha.
Como consequência da disputa por lotes aptos à panificação, as médias parciais de preços apuradas até 23 de outubro, ajustadas em termos reais pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna, atingiram os maiores níveis de 2026. A postura dos moinhos, focada em assegurar grãos com padrão de força de glúten e estabilidade, consolida um mercado firme para o triticultor local, ao mesmo tempo em que direciona parte da demanda fabril para as compras externas.
