A rápida expansão dos veículos elétricos está redesenhando a demanda mundial por recursos minerais, que também são amplamente usados na indústria de fertilizantes. Elementos como fósforo, ferro, manganês e níquel possuem aplicações nos dois segmentos, embora em diferentes proporções e processos de fabricação.
O principal ponto de aproximação está no fósforo, indispensável à nutrição das plantas e também presente nas baterias de lítio-ferro-fosfato (LFP). Atualmente, cerca de 85% do abastecimento brasileiro depende de fornecedores estrangeiros, o que torna a produção agrícola sensível às mudanças no cenário internacional.
Importações de fertilizantes recuam 22% em MS
Entregas de fertilizantes caem 8,8% e elevam rigor técnico
Em 2025, por exemplo, as vendas globais de carros elétricos ultrapassaram 20 milhões de unidades, o equivalente a um em cada quatro veículos novos comercializados, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA).
Uma pesquisa publicada pela Royal Society of Chemistry estima que, até 2045, a fabricação de baterias para os automóveis elétricos poderá exigir uma quantidade de rocha fosfática equivalente a algo entre 4% e 22,8% do volume atualmente destinado à produção de fertilizantes, dependendo das tecnologias e dos processos industriais adotados.
“Essa coincidência não indica um conflito inevitável. Ela mostra que a transição energética e a segurança alimentar dependem, em alguma medida, dos mesmos recursos minerais”, explica Valter Casarin, engenheiro agrônomo e coordenador-geral e científico da Nutrientes para a Vida (NPV), iniciativa da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). Para o especialista, o cenário exige um olhar estratégico para a disponibilidade desses recursos no longo prazo.
“O fósforo merece atenção especial porque não possui substituto viável na produção agrícola. Isso não significa que os carros elétricos estejam retirando matéria-prima da fabricação de fertilizantes, mas acrescenta pressão sobre esse mercado e mostra por que precisamos pensar desde já em novas fontes de abastecimento, especialmente em um país tão dependente de importações como o Brasil”, explica Casarin.
