O mercado de trigo da América do Sul caminha para um cenário de expressivo aperto no balanço entre oferta e demanda na temporada 2026/27. Dados consolidados pelo Departamento de Análise da TF Agroeconômica apontam que a produção somada dos países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) deverá alcançar 29,62 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 22,7% na comparação com as 38,32 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior.
A retração é liderada pela Argentina, o principal parceiro comercial e abastecedor dos moinhos brasileiros. A safra argentina está estimada em 21,0 milhões de toneladas, um recuo de 24,8% frente às 27,92 milhões de toneladas apuradas em 2025/26. Com isso, o excedente exportável argentino encolhe para 18,5 milhões de toneladas (-21,6%) e os estoques de passagem recuam 22,8%, situando-se em 3,18 milhões de toneladas.
Quebra de safra eleva importação de trigo para 9 mi de t
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O panorama regional também revela quebras expressivas nos demais membros do bloco:
Brasil: Produção prevista em 6,70 milhões de toneladas (-12,97%), obrigando o país a importar 7,20 milhões de toneladas para cobrir um consumo doméstico de 12,50 milhões;
Paraguai: Colheita projetada em 946 mil toneladas, uma queda de 27,8% frente às 1,31 milhão de toneladas da safra passada;
Uruguai: Oferta total em declínio, com produção estimada em 980 mil toneladas (-30,0%) e excedente exportável cortado para 548 mil toneladas.
No total consolidado do Mercosul, as exportações do bloco recuarão 23,1%, caindo de 22,2 milhões para 17,06 milhões de toneladas. Ao mesmo tempo, os estoques finais conjuntos deverão ficar restritos a 6,04 milhões de toneladas, baixa de 4,2%. A menor disponibilidade regional, associada às perdas qualitativas provocadas pelo clima no Brasil, indica que a pressão compradora nos próximos meses deverá forçar a sustentação dos preços das farinhas e derivados no mercado interno.
