A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) reuniu-se na noite desta terça-feira (6) com o candidato à Presidência da República pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, para oficializar o apoio institucional e político da bancada à sua campanha no segundo turno. No encontro, os parlamentares apresentaram as reivindicações prioritárias do setor produtivo, cobrando previsibilidade no crédito agrícola, orçamento robusto para o seguro rural, avanço da regularização fundiária e redução da vulnerabilidade nacional em fertilizantes minerais.
O presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), apontou o cenário macroeconômico adverso como o principal motivador da aliança formal:
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“Nós viemos aqui hoje declarar oficialmente o apoio à candidatura do presidente Flávio Bolsonaro. Isso se dá por um motivo muito claro e que está demonstrado em todas as questões econômicas do país. Não só o produtor rural, mas o setor produtivo está completamente impedido de investir no país com os problemas macroeconômicos que nós temos: R$ 11 trilhões de dívida pública, os números do déficit primário são absurdos, os juros estão muito altos e isso limita qualquer capacidade de investimento”, declarou Lupion.
O candidato Flávio Bolsonaro, que integra os quadros da própria bancada, assegurou a absorção integral das propostas do setor em suas diretrizes de governo. O parlamentar destacou compromissos com a infraestrutura logística, a recomposição do seguro agrícola e o esforço de queda na taxa básica de juros para baratear os financiamentos de custeio e investimento. Entre os pontos pactuados, o candidato listou ainda o aumento da capacidade estática de armazenagem de grãos, a assistência à agricultura familiar, a titulação fundiária, o estímulo a pesquisas em biocombustíveis e a menor dependência de adubos importados.
A vice-presidente da FPA e ex-ministra da Agricultura, senadora Tereza Cristina (PP-MS), ressaltou a convergência política:
“O meu apoio e o da Frente acho que é incondicional e os brasileiros que trabalham, que produzem, estão muito felizes, tenho certeza, com esse apoio. O Brasil está mais leve desde o dia 4 de outubro”, afirmou a senadora.
Críticas à medida provisória 1.376 e expansão da bancada no congresso
Durante a reunião, a cúpula da FPA enfatizou o descontentamento do campo com as políticas da atual gestão federal, ressaltando o crescimento da representação do agronegócio nas urnas no primeiro turno. A estimativa das lideranças é alcançar cerca de 330 deputados federais e 47 senadores associados na próxima legislatura, ampliando o poder de articulação em Brasília.
O endividamento dos produtores rurais foi colocado como pauta de emergência. Lupion criticou duramente a eficácia da Medida Provisória nº 1.376/2026, editada pelo governo federal para renegociar operações bancárias e CPRs de quem sofreu perdas climáticas:
“Todas as negociações que nós fizemos com o atual governo sobre o PL 5122 e a renegociação das dívidas foram afastadas, ou seja, foram arquivadas por uma Medida Provisória que não atendeu sequer 12% dos produtores. As 144 emendas que nós apresentamos ao relator e ao presidente da Comissão foram rejeitadas. Nós vamos ter que refazer tudo isso”, disparou o deputado.
Ao final do encontro, o candidato confirmou aos jornalistas presentes que, em caso de vitória no segundo turno, o comando do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) continuará sob indicação técnica e política da bancada do agro, repetindo o modelo adotado na gestão de Tereza Cristina.
