As importações brasileiras de trigo registraram retração ao longo do mês de agosto, movimento impulsionado pela entrada gradual da nova safra doméstica nos armazéns. De acordo com análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o recuo nas compras externas ocorre em paralelo ao avanço das colheitadeiras nas principais regiões produtoras do país, embora o fluxo da safra ainda não tenha aliviado a disputa por produto de alto padrão.
Mesmo com as máquinas em campo, os pesquisadores apontam que a oferta física disponível de trigo com qualidade superior permanece bastante limitada. O descompasso decorre de incertezas climáticas que afetaram o desenvolvimento das lavouras em diferentes momentos do ciclo, reduzindo o volume de cereal apto para moagem fina de panificação.
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No front financeiro, o mercado interno do cereal opera sob firme sustentação. Três fatores principais atuam como esteio para os preços do trigo em grão e de seus derivados industriais:
Expectativas de safra: Projeções de colheita enxuta tanto nas lavouras nacionais quanto no balanço produtivo global;
Cenário internacional: Valorização consistente das cotações nas principais bolsas globais de commodities;
Liquidez física curta: Baixa disponibilidade de lotes para pronta-entrega no mercado spot, forçando moinhos a manterem pedidas elevadas para garantir abastecimento.
O Cepea reforça que a colheita continuará ganhando ritmo e amplitude geográfica nas próximas semanas nos estados produtores, momento em que a indústria avaliará de forma definitiva o rendimento industrial e a força de glúten das novas cargas que chegam aos silos.
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