A colheita nacional de trigo atingiu 11,5% da área total cultivada no Brasil, marcando a transição operacional entre o encerramento da temporada 2025/2026 e o início dos trabalhos de campo da safra 2026/2027. Os dados constam do mais recente levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), destacados no boletim especializado da consultoria TF Agroeconômica. O índice supera os 11,1% registrados em igual período de 2025, mas ainda corre ligeiramente atrás da média histórica de cinco anos para a época, calculada em 12,4%.
O ritmo das colheitadeiras divide o mapa tritícola em dois cenários distintos. No Centro-Oeste e no Sudeste, as operações avançaram de forma intensa, lideradas por Goiás (90%), Mato Grosso do Sul (80%), Minas Gerais (77%) e São Paulo (15%). Contudo, nas áreas irrigadas goianas e mineiras, os trabalhos de campo confirmam produtividades aquém das estimativas iniciais e grãos com padrão de qualidade inferior. Na Bahia, onde a colheita ainda não começou, os talhões encontram-se em fases de enchimento e maturação com bom desenvolvimento vegetativo.
Importações de trigo recuam com avanço da colheita no Brasil
Trigo sobe no Brasil e no exterior com paralisação logística russa
Clima instável freia colheita e acende alerta sanitário no Sul
Nas principais praças do Sul do país, o clima adverso impôs desafios operacionais imediatos. No Paraná, onde as máquinas cobriram 5% da área, as precipitações registradas no início da semana paralisaram temporariamente os trabalhos, somando-se a episódios pontuais de granizo que danificaram lavouras. O mesmo quadro de interrupção ocorreu em São Paulo e no Mato Grosso do Sul, onde as chuvas retardaram a reta final dos talhões restantes.
Em Santa Catarina, onde o ciclo ainda não atingiu maturação de colheita, o excesso de chuva registrado na virada do mês elevou significativamente os riscos fitossanitários. No Oeste e Extremo Oeste catarinense, técnicos relatam incidência de oídio, manchas foliares, ferrugem e doenças de espiga, além de episódios de acamamento e queda de granizo.
A análise da TF Agroeconômica destaca que o Rio Grande do Sul concentra as maiores atenções agronômicas. Com a maior parte dos trigais em desenvolvimento vegetativo e parcelas iniciando a transição reprodutiva, o retorno da luminosidade favoreceu o crescimento. Entretanto, a sequência prévia de alta umidade já provocou focos de giberela nos trigos que floresceram primeiro. O problema amplia o risco de contaminação por micotoxinas (DON), ameaça direta que pode comprometer a absorção do cereal gaúcho pelos moinhos de panificação e acentuar a diferenciação de preços por qualidade no mercado interno.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
