O tabaco produzido no Brasil ostenta liderança global em reputação e conformidade, mas a manutenção desse patamar exige vigilância rigorosa contra descuidos no manejo pós-colheita. Para blindar esse padrão de qualidade, o Fórum Nacional de Integração da Cadeia Produtiva do Tabaco (Foniagro) e o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) intensificaram a campanha educativa do Programa Tabaco Limpo, ação voltada a orientar os produtores integrados sobre a erradicação de qualquer impureza física na matéria-prima.
A campanha distribui cartazes nas empresas compradoras e disponibiliza uma série de vídeos técnicos no canal do SindiTabaco no YouTube. Os conteúdos cobrem todo o ciclo operacional da cultura: as precauções no plantio e na colheita, os critérios sanitários no armazenamento dentro dos paióis e as rotinas preventivas durante a classificação manual e a prensagem dos fardos.
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Segundo a assessora técnica do SindiTabaco, Fernanda Viana Bender, a eliminação de contaminantes é determinante para a sustentação das exportações:
"A presença de elementos como fios, capins e outros vegetais, penas, insetos, pelos de animais, papéis e isopor é rejeitada pelos clientes internacionais. A falta de conscientização pode desvalorizar o tabaco brasileiro, que hoje é reconhecido mundialmente pela sua qualidade e integridade."
Manejo no campo, paiol fechado e mesa vazada
No mercado internacional, as contaminações são classificadas sob a sigla NTRM (Non-Tobacco Related Material, ou Materiais Não Relacionados ao Tabaco). Esses resíduos decorrem quase sempre de falhas operacionais rotineiras que ocorrem entre o campo e o barracão.
O coordenador do Foniagro e assessor da Diretoria do SindiTabaco, Carlos Sehn, destaca as medidas prioritárias para evitar rejeições:
Na lavoura: erradicar plantas daninhas antes da colheita e nunca depositar as folhas colhidas diretamente em contato com o solo;
No transporte: eliminar o uso de sacarias de ráfia desfiadas, que soltam fios sintéticos difíceis de retirar;
No paiol: varrer e higienizar profundamente as instalações antes de receber o tabaco curado, além de vedar acessos para impedir a entrada de cães, gatos, aves ou roedores;
Na classificação e enfardamento: utilizar bancadas com tampos de tela ou ripas vazadas sob boa luminosidade para permitir a queda de partículas, inspecionando cada maço antes de fechar o fardo.
A mobilização conta com o endosso de entidades rurais dos três estados do Sul: Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Fetag-RS, Sistema Faesc/Senar, Fetaesc, Sistema Faep e Fetaep.
