O mercado internacional da soja iniciou a quarta-feira estendendo o movimento de baixa nas cotações registradas na Bolsa de Chicago (CBOT), segundo dados da Granoeste Corretora. O vencimento para setembro operava em queda de 7 cents no intervalo do dia, cotado a US$ 11,51/bushel, após encerrar a sessão anterior com perdas entre 13 e 15 pontos nos primeiros contratos.
Desde o dia 24 de julho — data em que atingiram o maior patamar de preços dos últimos dois anos —, as cotações do grão acumulam uma retração superior a 8% em menos de duas semanas. A desvalorização é explicada pela aversão ao risco por parte dos investidores e fundos, que reduziram a exposição em commodities agrícolas devido à alavancagem desses contratos.
Soja em Mato Grosso enfrenta custos altos e projeta queda na safra 2026/27
Preço da soja cai em Chicago com avanço da safra nos EUA
Do ponto de vista fundamental, a pressão baixista é reforçada pelas expectativas de uma safra cheia nos Estados Unidos. Embora ondas de calor isoladas tenham provocado estresse pontual, a regularização do clima no cinturão produtor norte-americano mantém as boas perspectivas até a consolidação do ciclo, prevista para meados de setembro. O levantamento mais recente do USDA indica que 63% das lavouras dos EUA estão em condições boas ou excelentes, com 88% em fase de floração e 62% em formação de vagens. Do lado da demanda global, a China intensificou as compras de origens norte-americanas, enquanto o processamento interno dos EUA segue aquecido.
Panorama Brasil: prêmios valorizados e mercado físico travado
Enquanto Chicago acumula perdas, a Granoeste Corretora aponta que a comercialização no mercado interno brasileiro se mantém travada. Como a oferta de lotes disponíveis no campo é limitada, os prêmios nos terminais portuários ganharam força, impedindo que o tombo registrado nas telas internacionais atinja com a mesma intensidade as cotações praticadas na ponta produtora nacional.
Os prêmios para entrega spot nos portos brasileiros estão indicados na faixa entre 140 e 150 cents/bushel acima de Chicago. Para embarque em setembro, as indicações variam de 160 a 170 cents, enquanto as posições de outubro oscilam entre 155 e 170 cents/bushel.
Diante desse quadro, as indicações de compra no Oeste do Paraná mantêm-se firmes entre R$ 135,00 e R$ 138,00 por saca no interior. Já no Porto de Paranaguá, os valores balizam na faixa de R$ 146,00 a R$ 149,00 a saca, oscilando a depender do local, do período de embarque e do prazo de pagamento acordado entre as partes. Os agricultores brasileiros alimentam expectativas de preços mais atraentes à frente, monitorando a fase crítica do clima norte-americano, o risco de atraso nas primeiras chuvas para a semeadura da nova safra nacional e o aperto da entressafra no Brasil.
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