A relevância da soja para o desenvolvimento socioeconômico brasileiro vai muito além da porteira. Resultados de duas pesquisas desenvolvidas em parceria entre o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) foram apresentados pela professora Nicole Rennó Castro durante o 65º Congresso da European Regional Science Association (ERSA), em Sofia, na Bulgária.
O estudo inédito mapeou como o avanço territorial da oleaginosa gera riqueza para os centros urbanos. Em média, cada 1.000 hectares adicionais de soja cultivados em um município geram 11 empregos formais fora do agronegócio, injetam R$ 3,6 milhões extras no PIB não agropecuário real e atraem 49 novos moradores. O levantamento comprova que o cultivo movimenta diretamente o setor de serviços, oficinas, logística e comércio local.
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Efeito multiplicador em cidades polos
A dinâmica varia conforme o porte dos municípios:
Pequenos centros (até 21,5 mil habitantes): o avanço do emprego e da renda urbana depende diretamente da área plantada dentro do próprio território municipal;
Cidades médias e polos regionais (mais de 48,3 mil habitantes): atuam como hubs de apoio. Para cada 1.000 hectares plantados nos municípios vizinhos, a cidade polo ganha 68 vagas formais não agrícolas, R$ 9,4 milhões em PIB não agropecuário e 118 novos residentes;
Indústrias de processamento (87 mil a 342 mil habitantes): a atração de esmagadoras de soja, fábricas de rações e usinas de biodiesel gera forte efeito multiplicador. Cada posto de trabalho industrial criado atrai outros 19 empregos formais em setores correlatos e acrescenta R$ 2,6 milhões ao PIB real não agropecuário.
Transmissão de preços do farelo de soja para as rações
O segundo estudo apresentado na Bulgária detalhou o mecanismo de repasse financeiro entre o farelo de soja e a indústria de rações comerciais no Brasil.
A pesquisa concluiu que o canal de transmissão é economicamente relevante e expressivo, porém ocorre de forma gradual e assimétrica. Essa dinâmica reduz a velocidade com que as quedas nas cotações internacionais do farelo chegam aos custos operacionais da avicultura, suinocultura e pecuária leiteira na ponta final.
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