A estruturação do transporte multimodal e o combate à insegurança regulatória no frete ditaram os debates da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O ponto central foi o alinhamento das diretrizes do Plano Nacional de Logística (PNL 2050) com o Ministério dos Transportes, além da análise de impacto da Lei nº 15.485/2026 sobre a tabela de pisos mínimos do transporte rodoviário.
O novo desenho do PNL 2050 mapeou 31 eixos prioritários de transporte no território nacional. A diretriz central do governo é concentrar o orçamento público na manutenção estratégica dos corredores responsáveis pela movimentação de 80% de todas as exportações brasileiras, evitando a degradação de rodovias essenciais e garantindo projetos com licenciamento ambiental antecipado.
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Integração multimodal e Ferrogrão na pauta
Segundo o Ministério dos Transportes, o plano busca a intermodalidade para desatar os gargalos históricos nos acessos aos portos do Arco Norte e do Sul/Sudeste. Entre os projetos estruturantes, a ampliação e viabilização de ferrovias como a Ferrogrão foram destacadas como determinantes para absorver a expansão da safra e aliviar a sobrecarga da malha rodoviária.
A CNA ressaltou que 80% das propostas encaminhadas pelas federações estaduais de agricultura foram incorporadas ao documento, com o setor defendendo que o próximo passo inclua a integração com a rede nacional de armazenagem.
Insegurança jurídica no piso mínimo do frete
O setor de transporte de cargas e o agro também avaliaram os impactos da recente legislação do frete. De acordo com a Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (Anut), a cadeia segue em um cenário de indefinição enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) não concluir o julgamento sobre a constitucionalidade da política de pisos mínimos.
O debate técnico apontou que quatro itens concentram cerca de 80% do custo do frete na fórmula da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT): combustível, remuneração e mão de obra dos motoristas, pneus com serviços de recapagem e depreciação do veículo.
O setor produtivo agora articula a avaliação dos 42 vetos presidenciais aplicados à nova lei, buscando derrubadas ou manutenções estratégicas no Congresso para viabilizar tabelas diferenciadas por tipo de carga e operação.
Inteligência territorial para a triticultura
O encontro contou ainda com a apresentação da plataforma Trigo no Brasil, desenvolvida pela Embrapa Territorial e Embrapa Trigo. O painel interativo reúne indicadores geoespaciais, zoneamento agrícola de sequeiro e irrigado, fluxos de importação/exportação e distribuição de moinhos.
Os dados reforçam o potencial de expansão do cereal: atualmente, o Brasil ocupa o 17º lugar no ranking mundial, respondendo por 1,11% da produção global de trigo.
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