Um grupo de 30 entidades representativas do agronegócio encaminhou nesta sexta-feira (28) um ofício de urgência ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) cobrando a liberação imediata das obras de dragagem de manutenção na hidrovia do Rio Tapajós. A inércia governamental na conservação da calha do rio ameaça provocar um prejuízo estimado em R$ 850 milhões para a cadeia produtiva na temporada 2026/2027, além de comprometer os portos estratégicos do Arco Norte.
O Rio Tapajós movimentou 16,8 milhões de toneladas de cargas em 2025 (alta de 14,3% frente ao ano anterior), sendo que 88% desse volume é composto por soja e milho vindos do Centro-Oeste. Apenas no primeiro bimestre de 2026, mais de 2,04 milhões de toneladas já passaram pela hidrovia.
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Risco de colapso logístico e sobrecusto no frete
A iminência de um El Niño severo no Norte do país ameaça repetir o déficit hídrico de 2023, quando a bacia registrou falta de até 80 mm de chuva e barcou barcaças por falta de calado seguro. Caso a navegação seja inviabilizada, os impactos imediatos calculados pelas entidades incluem:
Quebra no escoamento: risco de até 5 milhões de toneladas de grãos ficarem retidas;
Sobrecusto rodoviário: disparada de R$ 150 a R$ 250 por tonelada no frete alternativo por caminhões;
Pegada de carbono: emissão adicional de 55 mil toneladas de CO2 com o desvio das cargas para a malha rodoviária;
Desabastecimento regional: comprometimento do fornecimento de combustíveis no polo de Santarém (PA).
Janela operacional se encerra em setembro
A urgência do setor esbarra no cronograma técnico: o maquinário pesado de dragagem precisa iniciar operações imediatamente, pois deve começar a ser retirado do leito a partir de setembro, antes do pico da estiagem.
As entidades reforçam que a intervenção é de simples manutenção preventiva (desassoreamento de bancos de areia) e não depende de licenciamento ambiental, conforme a legislação vigente.
Além disso, um acordo firmado entre o DNIT e a Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior (ABANI) viabiliza que todo o custo financeiro da operação seja 100% bancado pela iniciativa privada, sem exigir desembolso do orçamento público.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) reforçou a cobrança junto à Casa Civil, alertando que a paralisação do Tapajós e do Rio Madeira transfere o gargalo logístico para rodovias já saturadas, encarecendo a cesta básica e minando a competitividade das exportações brasileiras.
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