O arranque da safra de soja 2026/27 em Mato Grosso do Sul coloca os produtores e agrônomos em alerta para a ocorrência do cascudinho-da-soja (Myochrous armatus). O inseto, que tem causado preocupação crescente nas últimas temporadas, tem capacidade para provocar danos severos logo nos primeiros estádios de desenvolvimento vegetativo da cultura.
"Isso incomoda muito todo o mundo, há alguns anos. Se não cuidar, destrói tudo, e é muito difícil o seu controlo", relata o diretor da Aprosoja/MS e produtor na região Norte do estado, Eduardo Introvini.
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De acordo com o Informativo Técnico 05/2026, divulgado pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), a incidência do besouro concentra-se sobretudo na região Centro-Norte, com relatos também no Sul do estado. Identificada pela primeira vez em território sul-mato-grossense na temporada 2017/18, a praga ataca diretamente as primeiras folhas e o caule das plântulas, lesionando a soja ainda jovem.
Conforme explica o analista técnico da Aprosoja/MS, Lucas Santana, a vigilância deve ser imediata:
"Os primeiros dias de desenvolvimento da soja são fundamentais para a formação de um estande adequado. Por isso, o produtor precisa de monitorizar a lavoura desde a emergência, identificando possíveis sinais de ataque e procurando orientação técnica para definir as medidas de manejo."
Os danos são causados exclusivamente pelos exemplares adultos, que se alimentam das partes tenras da planta. O período mais crítico estende-se da emergência até cerca de 25 dias, intervalo em que as estruturas vegetativas estão mais vulneráveis. Em situações de infestação severa, o corte e a destruição da base do caule levam a planta ao tombamento e à morte, forçando a operação de ressemeadura em talhões inteiros.
Um obstáculo adicional reside no comportamento do inseto na lavoura: os adultos permanecem camuflados tanto nas folhas quanto sob a espessa camada de palhada do plantio direto, o que dificulta a visualização a olho nu.
Para conter o avanço do cascudinho, a Aprosoja/MS recomenda a aplicação rigorosa das diretrizes do Manejo Integrado de Pragas (MIP). A realização de amostragens frequentes com o auxílio do pano de batida é indicada para a deteção precoce da população. No pacote de controlo, destacam-se o tratamento profissional de sementes com inseticidas específicos e registrados para o alvo biológico e pulverizações foliares conforme os níveis de dano económico apurados nas vistorias.
A eliminação prévia de plantas hospedeiras é outro pilar essencial: espécies como amendoim-bravo, braquiária e plantas voluntárias de milho tiguera servem de refúgio e ponte alimentar para o besouro. Por essa razão, uma dessecação pré-semeadura bem executada é decisiva para baixar a pressão inicial da praga antes da entrada das semeadoras.
