Com um aporte financeiro de R$ 19,5 milhões, a Grunner anunciou uma reformulação estratégica em seu portfólio de máquinas agrícolas inteligentes. Do montante total, R$ 15,5 milhões foram aplicados no desenvolvimento de novas matrizes energéticas limpas, viabilizando versões movidas a etanol e biometano, enquanto R$ 4 milhões foram direcionados à criação de uma plataforma de chassi inédita e concebida especificamente para o trabalho severo no campo. O lançamento ocorreu durante o Grunner Day 2026, em Lençóis Paulista (SP).
Os novos propulsores a biocombustíveis foram desenvolvidos em cooperação técnica com a MWM e já estão liberados para encomenda comercial em toda a linha de produtos da marca. A motorização alternativa contempla os veículos de transbordo de cana (Linha ATR), de aplicação de vinhaça localizada (Linha ASP) e de distribuição de insumos e corretivos sólidos (Linha ADS).
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A diversificação atende diretamente à dinâmica operacional do setor sucroenergético. Ao disponibilizar máquinas que operam com etanol e biometano, a fabricante permite que usinas utilizem a própria energia gerada na planta industrial para abastecer a frota de transbordo e tratos culturais, reduzindo custos com óleo diesel fóssil.
"Etanol e biometano dão às usinas mais alternativas para definir sua estratégia energética. Quem produz o próprio combustível pode avaliar, de acordo com o cenário operacional e econômico, quando utilizá-lo na frota e quando destiná-lo ao mercado. Hoje, o diesel está entre os principais custos da operação agrícola mecanizada. Ao utilizar etanol ou biometano, a usina reduz a exposição a um insumo sujeito a fatores externos e passa a ter maior controle sobre sua matriz energética. É uma decisão que combina inteligência operacional e maior autonomia", pontua o gerente nacional de Vendas e Marketing da Grunner, André Torquetti.
Para as frotas já ativas, a Grunner estruturou uma solução de retrofit para motorização a etanol, permitindo a conversão de unidades que hoje operam com diesel convencional. A opção de conversão não será estendida ao biometano. Atualmente, a empresa conta com uma base instalada superior a 1.500 equipamentos em operação no território nacional.
Plataforma exclusiva desenhada para a agricultura
A outra frente do investimento marca uma transição industrial definitiva. Historicamente, os equipamentos da fabricante utilizavam como ponto de partida plataformas de caminhões rodoviários desenvolvidas pela Mercedes-Benz, que recebiam reforços e adaptações estruturais nas oficinas da Grunner.
Com o projeto de R$ 4 milhões concebido conjuntamente com a montadora alemã, a estrutura básica do chassi passa a ser fabricada desde o início sob especificações exclusivas para o terreno agrícola, dimensionada para suportar torções severas e cargas dinâmicas típicas dos canaviais.
Dentro desse arranjo tecnológico, a Mercedes-Benz mantém a parceria no fornecimento da estrutura de chassi e dos blocos a diesel, enquanto a MWM assume o fornecimento das motorizações a etanol e biometano. O novo chassi foi desenhado para reduzir o índice de quebras estruturais, elevar o tempo de disponibilidade mecânica e diminuir os custos com manutenções corretivas.
"Estamos deixando uma plataforma originalmente concebida para aplicação rodoviária e posteriormente customizada para o campo para trabalhar com uma base desenvolvida especificamente para os equipamentos Grunner. O projeto busca reduzir intervenções, aumentar a disponibilidade e criar condições para uma vida útil maior, desde que acompanhado pelas práticas adequadas de manutenção", ressalta Torquetti.
A combinação entre chassi agrícola dedicado e matriz energética renovável flexibiliza a composição das frotas de acordo com a disponibilidade de combustível de cada agroindústria, alinhando descarbonização e corte de custos de operação na colheita.
