As exportações brasileiras com destino ao Canadá atingiram recorde histórico no acumulado de janeiro a setembro de 2026, somando US$ 5,69 bilhões — um avanço de 12,1% sobre igual intervalo de 2025, que já havia estabelecido a melhor marca da série. Na ponta oposta, as importações de insumos e manufaturados canadenses subiram 14,9%, atingindo US$ 2,72 bilhões, sinalizando forte tração na corrente comercial.
Os números constam no relatório trimestral Quick Trade Facts (QTF), produzido pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC). O faturamento acumulado pelas exportações nacionais superou em US$ 614 milhões o ciclo anterior (US$ 5,08 bilhões), acumulando expansão de aproximadamente 28% no intervalo de dois anos.
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A corrente bilateral de comércio atingiu US$ 8,41 bilhões nos primeiros nove meses de 2026 (+13%), assegurando ao Brasil um saldo comercial superavitário de US$ 2,97 bilhões.
A pauta brasileira continuou liderada pelo ouro em bruto, cujos embarques somaram US$ 3,06 bilhões (+47%), respondendo por 53,8% das vendas ao mercado canadense diante da procura global por ativos de proteção financeira em períodos de incerteza geopolítica.
"O desempenho do comércio entre Brasil e Canadá evidencia a relevância da parceria bilateral em um cenário internacional de incertezas. Ao mesmo tempo que a demanda por ouro impulsiona as exportações brasileiras, a expansão das compras de fertilizantes e de outros produtos canadenses demonstra a complementaridade entre as duas economias e as oportunidades para aprofundar essa relação", avalia o diretor-presidente da CCBC, Hilton Nascimento.
Carne bovina salta 828% e ajuda a compensar a China
O setor pecuário foi o principal destaque de crescimento percentual na pauta exportadora nacional. As vendas de carne bovina desossada e congelada dispararam 828% na comparação com o mesmo período de 2025, alcançando US$ 76,5 milhões. O avanço ganha peso estratégico no balanço do setor produtivo, uma vez que as compras da China recuaram em 2026, permitindo que a praça canadense amortecesse parte do desaquecimento asiático.
Outros segmentos industriais também registraram incrementos expressivos, como pás carregadeiras (+80%, para US$ 55,8 milhões) e querosene de aviação (+83%, para US$ 39,4 milhões), além de centros de usinagem e componentes aeronáuticos.
Essas expansões compensaram a retração de produtos tradicionais da balança:
Alumina calcinada: queda de 28%, somando US$ 858,8 milhões;
Açúcar de cana: redução de 25%, totalizando US$ 251,5 milhões;
Café verde: declínio de 20%, somando US$ 172,8 milhões.
Fertilizantes respondem por mais de metade das importações
Pelo lado das importações brasileiras, o suprimento agrícola manteve protagonismo incontestável. As compras de cloreto de potássio (KCl) provenientes de minas canadenses somaram US$ 1,41 bilhão até setembro (+14,5%), correspondendo a 51,9% de tudo o que o Brasil comprou do país parceiro.
Conforme o levantamento da CCBC, as contínuas instabilidades nas rotas e na oferta internacional de insumos consolidam o Canadá como fornecedor prioritário de potássio para as adubações da safra brasileira. A pauta de compras foi complementada por turborreatores (+61,4%, para US$ 195,4 milhões), helicópteros (+83%, para US$ 68,3 milhões), produtos farmacêuticos (+35,7%, para US$ 63 milhões), além de carvão mineral e maquinário agrícola, favorecidos pelo câmbio ao longo do ano.
