O mercado de suinocultura encerrou o mês de setembro registrando a primeira valorização simultânea nas cotações do suíno vivo e da carcaça suína no acumulado de 2026. A recuperação de preços foi impulsionada pela retração na disponibilidade interna de carne para abate imediato e pelo aquecimento do consumo no mercado doméstico, com tração mais evidente a partir do dia 10 do mês. Em contrapartida, os cortes suínos fracionados apresentaram desvalorização nas gôndolas e no atacado no mesmo intervalo.
No comércio exterior, os embarques de carne suína in natura somaram 133,5 mil toneladas em setembro, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O volume representou um incremento de 3,0% na comparação com agosto, mas ficou 11,1% abaixo do patamar histórico registrado em setembro de 2025 — que representava o recorde da série histórica iniciada em 1997 até ser superado por março de 2026 (quando foram embarcadas 152,2 mil toneladas).
Poder de compra do suinocultor paulista sobe em outubro
Exportação de carne suína cresce 6% e soma 1,19 mi de t
Insumos mais caros pressionam o poder de compra
Apesar da reação favorável na porteira, a planilha de custos não deu trégua ao produtor. O poder de compra do suinocultor paulista frente aos dois componentes essenciais da ração — milho e farelo de soja — recuou em setembro pelo terceiro mês consecutivo. Embora o preço do animal tenha subido, os grãos avançaram com velocidade e intensidade superiores no mercado spot.
Na praça SP-5 (que congrega os polos de Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), o suíno vivo posto na indústria alcançou média de R$ 5,06 por quilo, um avanço de 1,9% frente aos R$ 4,96 por quilo verificados em agosto. Esse ajuste, no entanto, foi integralmente neutralizado pela inflação nutricional da dieta animal.
Competitividade frente às carnes concorrentes
Nas negociações atacadistas da Grande São Paulo, a carcaça especial suína exibiu comportamento misto frente às proteínas alternativas. O produto perdeu competitividade na comparação direta com a carcaça casada bovina, mas ganhou espaço e preferência comercial em relação ao frango inteiro resfriado.
Sustentada pela escassez de lotes prontos para entrega e pela demanda firme nos centros urbanos, a cotação média da carcaça especial suína fechou setembro em R$ 7,73 por quilo, apontando valorização de 4,4% contra o mês anterior.
