O melhoramento genético de búfalas leiteiras ganha um reforço científico de ponta em São Paulo. Um projeto de pesquisa conduzido pelo Instituto de Zootecnia (IZ–APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado e aprovado pela Fapesp, investiga marcadores moleculares no gene responsável pela expressão da lactoferrina.
A proteína, presente naturalmente no leite e em secreções como saliva e lágrimas, atua como uma barreira biológica contra patógenos. Por ter alta afinidade com o ferro, a lactoferrina sequestra o mineral livre no organismo, impedindo a proliferação de bactérias que necessitam de ferro para se multiplicar. Na prática pecuária, essa característica confere menor predisposição a infecções no úbere, como a mastite, além de reduzir a Contagem de Células Somáticas (CCS) no tanque.
Preço do leite ao produtor sobe 33% no 1º semestre e custos ficam estáveis
CNA alerta produtores de leite para a importância da gestão de riscos
Monitoramento de 500 matrizes em campo
Sob a coordenação de Anibal Vercesi Filho, diretor do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Genética e Biotecnologia do IZ, o estudo acompanha a lactação de 500 búfalas distribuídas em seis propriedades comerciais paulistas.
O protocolo zootécnico inclui o controle leiteiro mensal para mensuração individual de produtividade, a análise dos teores de gordura, proteína total, lactose e quantificação de lactoferrina, além da coleta de sangue para extração de DNA genômico e identificação de polimorfismos genéticos correlacionados à saúde do úbere e sólidos totais.
O objetivo é disponibilizar aos criadores ferramentas de seleção genômica que permitam identificar precocemente matrizes mais rústicas, reduzindo o uso de antibióticos e elevando a longevidade dos plantéis.
Tradição e pioneirismo laboratorial
O Laboratório de Genética do IZ detém histórico de inovação na cadeia láctea nacional. O centro é responsável técnico pelo teste de DNA que lastreia o Selo de Pureza – 100% Búfalo, em parceria com a Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB), coibindo a mistura clandestina de leite bovino em derivados bubalinos.
O polo também foi pioneiro na identificação e certificação do leite A2 no país (livre da beta-caseína A1) e desenvolveu metodologias moleculares para identificar o alelo B do gene CSN3 da caseína, diretamente associado a um maior rendimento na produção de queijos finos e muçarela de búfala.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
