A expressiva cadeia de proteína animal de Santa Catarina — líder nacional na avicultura e suinocultura — enfrenta um descompasso estrutural entre o consumo e a produção local de ração. O estado consome cerca de 8,5 milhões de toneladas de milho ao ano, mas colhe apenas cerca de 2,67 milhões de toneladas, gerando um déficit anual próximo a 6 milhões de toneladas.
Para evitar os altos custos de frete rodoviário do Centro-Oeste brasileiro, que percorre mais de mil quilômetros e encarece o custo final da carne de frango, suína, ovos e leite, o governo estadual e entidades produtivas intensificaram as tratativas para destravar a Rota do Milho com o Paraguai. A negociação prevê a passagem rodoviária estratégica pela província argentina de Misiones.
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Relação bilateral e gargalos de fronteira
A aproximação atende a interesses complementares: a agroindústria do Oeste catarinense ganha um fornecedor geograficamente mais próximo, enquanto o Paraguai, sem saída para o mar, ganha acesso direto aos terminais portuários catarinenses para escoar seus produtos ao mercado internacional.
Em 2025, o milho representou 15,2% das importações de SC vindas do Paraguai (US$ 70,5 milhões), dentro de uma corrente comercial bilateral que já movimentou US$ 909,1 milhões. No entanto, a consolidação desse fluxo em grande escala ainda esbarra na burocracia aduaneira, na falta de pontes e travessias ágeis e na necessidade de alinhamento em protocolos de defesa sanitária vegetal entre os dois países e a Argentina.
Portos de SC como rota de saída para o comércio exterior
Em contrapartida ao envio do grão, a malha portuária de Santa Catarina surge como ativo logístico central para as exportações paraguaias de soja, óleos e carne bovina. Terminais como a Portonave, em Navegantes — que movimentou 1,1 milhão de TEUs em 2025 e executa investimento de R$ 2 bilhões para elevar a capacidade para 2 milhões de TEUs até o fim de 2026 —, possuem calado e produtividade internacional para atender à demanda do país vizinho rumo à Ásia e Europa.
O avanço desse corredor depende agora de acordos governamentais focados em infraestrutura de acesso, melhoria nos postos de fiscalização de fronteira e agilidade aduaneira para que a proximidade no mapa se converta em redução real no custo da saca de milho.
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