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Embrapa lança programas de baixo carbono para milho e sorgo

Foto do autor Francieli Galo
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Embrapa lança programas de baixo carbono para milho e sorgo
Os programas Milho e Sorgo Baixo Carbono são marcas-conceito inovadoras porque focam no produto e não na propriedade. Foto: Sandra Brito

Novas iniciativas da Embrapa vão desenvolver protocolos de certificação para milho e sorgo produzidos com menor emissão de carbono

A Embrapa deu mais um passo na agenda de sustentabilidade do agronegócio brasileiro ao lançar os programas Milho Baixo Carbono (MBC) e Sorgo Baixo Carbono (SgBC). As novas iniciativas ampliam o portfólio de soluções voltadas à descarbonização da produção agropecuária e abrem caminho para a criação de protocolos de certificação capazes de diferenciar no mercado os grãos produzidos com práticas mais sustentáveis.

A proposta é desenvolver e validar, com base científica e alinhamento a padrões internacionais, as marcas-conceito Milho Baixo Carbono e Sorgo Baixo Carbono, agregando valor à produção e oferecendo alternativas concretas diante das exigências crescentes por sustentabilidade no mercado nacional e internacional.

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Novos programas ampliam estratégia de descarbonização no agro

Com o lançamento, a Embrapa reforça uma estratégia que já vinha sendo construída com outras cadeias produtivas. A empresa já desenvolveu iniciativas como Carne Baixo Carbono (CBC), Soja Baixo Carbono (SBC) e Trigo Baixo Carbono (TBC), além de ferramentas para calcular a pegada de carbono de produtos agrícolas com base em avaliação de ciclo de vida.

Agora, o milho e o sorgo passam a integrar esse movimento, em um momento em que a agricultura brasileira é cada vez mais pressionada a demonstrar eficiência produtiva aliada à redução das emissões de gases de efeito estufa.

Segundo a Embrapa, o objetivo é criar parâmetros técnicos capazes de distinguir e valorizar grãos produzidos com tecnologias e práticas sustentáveis, sem comprometer a produtividade das lavouras.

Protocolos vão medir emissão por tonelada produzida

Os trabalhos serão estruturados a partir de critérios técnico-científicos para mensurar a intensidade das emissões de gases de efeito estufa (GEEs) por tonelada de grão produzida.

Na prática, os programas buscarão validar diretrizes técnicas que servirão de base para os protocolos de certificação. A proposta é identificar sistemas produtivos com maior eficiência por unidade de carbono emitida, estimulando a redução das emissões sem impor perda de desempenho agronômico.

Após a validação dos protocolos, a certificação deverá ocorrer de forma voluntária, privada e por terceiros, dentro do sistema MRV (Medição, Relato e Verificação), modelo já reconhecido por sua robustez no monitoramento e na comprovação de resultados ambientais.

Lançamento marca os 50 anos da Embrapa Milho e Sorgo

O lançamento oficial dos programas Milho Baixo Carbono e Sorgo Baixo Carbono está marcado para 11 de março, data em que a Embrapa Milho e Sorgo, em Minas Gerais, celebra seus 50 anos de atuação.

Já a abertura do edital público para seleção de instituições apoiadoras está prevista para agosto de 2026. Até lá, a equipe técnica da Embrapa Milho e Sorgo seguirá disponível para dialogar com potenciais parceiros e esclarecer detalhes sobre as atividades previstas.

A participação de instituições apoiadoras será considerada estratégica para a construção coletiva das diretrizes e para a validação dos protocolos em condições reais de campo.

Desenvolvimento terá duas fases até chegar ao mercado

O projeto será dividido em duas etapas principais.

Na primeira fase, voltada ao desenvolvimento e à inovação, a Embrapa pretende elaborar os protocolos técnicos de Milho Baixo Carbono e Sorgo Baixo Carbono e encaminhá-los para registro junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Nessa etapa, serão definidas as diretrizes que permitirão identificar o milho e o sorgo com melhor relação entre produtividade e emissão de carbono. A ideia é criar um referencial técnico capaz de incentivar sistemas mais eficientes e resilientes.

A validação dessas diretrizes ocorrerá ao longo de três ciclos produtivos, em unidades de observação que serão indicadas pelas instituições apoiadoras. Nessas áreas, serão levantadas informações sobre uso de insumos, operações mecanizadas e balanço de carbono no solo, permitindo o cálculo das emissões de gases de efeito estufa ao longo de todo o processo produtivo.

Na segunda fase, a proposta é implementar os selos de certificação no mercado por meio de certificadoras habilitadas, dentro de um modelo de exploração comercial que ainda será definido pela Embrapa.

Selos podem gerar diferencial competitivo ao produtor

Um dos principais pontos destacados pela Embrapa é que os programas Milho Baixo Carbono e Sorgo Baixo Carbono têm foco no produto, e não diretamente na propriedade rural.

Isso significa que os selos buscarão certificar o desempenho ambiental do grão produzido, considerando o balanço entre emissões e remoções de gases de efeito estufa e comprovando, com base científica, a redução das emissões.

Na avaliação da empresa, essa abordagem pode gerar um diferencial competitivo importante para os produtores, além de ampliar o valor agregado dos próprios grãos e de seus derivados, em um cenário em que consumidores e compradores estão cada vez mais atentos à origem e à sustentabilidade dos alimentos.

Parcerias serão decisivas para validar os protocolos

A Embrapa destaca que o sucesso da iniciativa dependerá da construção de critérios claros, de um sistema de certificação eficiente e acessível e do engajamento de todos os elos da cadeia produtiva.

Nesse processo, as parcerias público-privadas terão papel central, especialmente na validação dos indicadores de sustentabilidade em condições reais de campo e no cumprimento do sistema MRV.

Além da Embrapa Milho e Sorgo, participam do desenvolvimento dos programas pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente, em São Paulo, e da Embrapa Soja, no Paraná, o que reforça a integração entre diferentes unidades para acelerar a construção dos protocolos.

A expectativa é que, com apoio do setor privado e das instituições parceiras, os programas avancem com mais rapidez, robustez técnica e aderência à realidade do mercado.

Milho e sorgo entram de vez na agenda do agro sustentável

Com a criação dos programas MBC e SgBC, a Embrapa amplia a presença do milho e do sorgo na agenda de descarbonização da agricultura brasileira e fortalece a estratégia de posicionar o país como fornecedor de alimentos produzidos com base em critérios ambientais cada vez mais exigentes.

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