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Brasil recebe auditoria de Cuba para exportação de frutas

Foto do autor Jair Reinaldo
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Brasil recebe auditoria de Cuba para exportação de frutas
Auditoria internacional de Cuba visita polos de frutas no Brasil para avaliar sistemas de produção e abrir mercado para citros, uva e maçã. Foto: Felipe Nunes / Defesa Agropecuária

Missão internacional avalia citros em São Paulo e visitará polos de uva e maçã para analisar rastreabilidade, sanidade e certificação fitossanitária

Brasil deu mais um passo na tentativa de ampliar as exportações de frutas com o avanço da missão internacional que avalia a abertura do mercado cubano para produtos brasileiros. Desde o início da semana, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) acompanha uma auditoria conduzida pela Organização Nacional de Proteção Fitossanitária (ONPF) de Cuba, que analisa as condições técnicas e fitossanitárias para autorizar a importação de frutas do Brasil.

A ação é coordenada, em território nacional, pelo Departamento de Sanidade Vegetal e de Insumos Agrícolas, ligado à Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa. O objetivo é apresentar aos auditores cubanos a robustez do sistema brasileiro de controle fitossanitário, rastreabilidade e certificação, considerado estratégico para ampliar o acesso a novos mercados internacionais.

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Na prática, a missão representa uma oportunidade importante para a fruticultura brasileira, ao abrir caminho para novos embarques de produtos como lima ácida tahiti, laranja, uva e maçã.

São Paulo apresenta força da citricultura

Uma das primeiras etapas da agenda ocorreu em São Paulo, onde representantes do Mapa e da Diretoria de Defesa Agropecuária do estado participaram das atividades com os auditores cubanos.

Durante a programação, foram detalhadas as medidas adotadas para garantir que a lima ácida tahiti e a laranja atendam às exigências fitossanitárias de Cuba. Também participaram engenheiros agrônomos responsáveis pelos programas estaduais de certificação fitossanitária para exportação e de sanidade dos citros.

A missão incluiu visitas a unidades de produção e de consolidação nos municípios de Santa Adélia e Matão (SP), onde os representantes cubanos puderam conhecer de perto os sistemas de rastreabilidade, os protocolos de manejo fitossanitário e os procedimentos previstos na legislação brasileira para assegurar a sanidade da produção.

Segundo a engenheira agrônoma da CDA, Veridiana Zocoler, a participação de São Paulo na auditoria teve como foco demonstrar, de forma técnica, as ações que consolidam o estado como o maior parque citrícola do mundo.

Esse ponto é especialmente relevante porque a citricultura paulista é uma das principais vitrines do agronegócio brasileiro no exterior, e o reconhecimento de seus controles sanitários fortalece a credibilidade do país diante de novos compradores.

Sistema fitossanitário brasileiro em evidência

Além da análise específica sobre as frutas, a missão cubana também funciona como uma vitrine institucional para o sistema fitossanitário brasileiro.

De acordo com o Mapa, a auditoria é uma oportunidade estratégica para mostrar a países interessados em importar produtos do Brasil que o país possui um sistema consolidado de monitoramento, controle oficial e rastreabilidade, capaz de atender exigências internacionais e mitigar riscos relacionados a pragas.

A chefe da Divisão de Programas Especiais de Exportação, Samuth Duarte Alves Pereira, destacou que o Brasil conta com uma estrutura robusta, baseada em fiscalização, certificação e acompanhamento técnico, o que garante segurança às exportações e fortalece a abertura de novos mercados.

Para o agro, esse tipo de reconhecimento é fundamental. Mais do que liberar um destino específico, ele ajuda a consolidar a imagem do Brasil como fornecedor confiável e tecnicamente preparado, o que pode facilitar futuras negociações com outros países.

Missão seguirá para outras regiões produtoras

A programação da missão internacional não se limita a São Paulo. Os auditores cubanos também devem visitar áreas produtivas no Vale do São Francisco e em Vacaria (RS).

Nessas etapas, o foco será conhecer os sistemas de produção de uva e maçã, em regiões que já têm tradição e reconhecimento pela qualidade dessas culturas e pelo potencial de atender aos requisitos fitossanitários estabelecidos por mercados externos.

A inclusão desses polos na auditoria amplia o alcance da missão e reforça o interesse em avaliar diferentes cadeias da fruticultura nacional, o que pode beneficiar múltiplos segmentos caso a abertura do mercado cubano avance.

Para produtores dessas regiões, a visita representa uma chance concreta de inserir ou ampliar a presença de suas frutas em um novo destino internacional, com potencial de diversificação comercial e melhor posicionamento no mercado exportador.

Novo mercado pode fortalecer a fruticultura

A abertura do mercado cubano para frutas brasileiras, se confirmada, tende a ser positiva para a fruticultura nacional por diferentes razões.

Além de criar uma nova rota comercial, a medida pode reduzir a dependência de mercados já tradicionais, ampliar a competitividade do setor e gerar novas oportunidades para produtores e exportadores que já atendem padrões rigorosos de certificação e sanidade.

Esse movimento é particularmente importante em um cenário em que o agronegócio brasileiro busca expandir sua presença internacional não apenas em grãos e proteínas, mas também em segmentos de maior valor agregado, como a fruticultura.

Para o produtor rural, a abertura de novos mercados significa mais possibilidades de comercialização, potencial de valorização da produção e estímulo à adoção de tecnologias ligadas à rastreabilidade, qualidade e conformidade fitossanitária.

Próximos passos dependem do resultado da auditoria

A missão será encerrada com uma reunião entre os auditores cubanos e representantes do Mapa, quando serão apresentados os resultados da auditoria e discutidos os próximos passos para a possível abertura do mercado.

A expectativa do setor é que a avaliação técnica confirme a capacidade brasileira de atender às exigências fitossanitárias estabelecidas por Cuba, permitindo o avanço das negociações.

Se o processo evoluir de forma positiva, o Brasil poderá conquistar mais um espaço para sua fruticultura no mercado internacional, reforçando o protagonismo do país como fornecedor global de alimentos com qualidade, rastreabilidade e segurança sanitária.

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