Conab aponta queda em 3 itens, mas cesta sobe nas capitais
Pesquisa da Conab e do Dieese mostra recuo nos preços de açúcar, café e óleo de soja em março, mas alta de tomate, batata e feijão elevou o custo da cesta básica em todas as capitais
Os preços de açúcar, café e óleo de soja recuaram em março na maior parte das capitais brasileiras, mas a cesta básica ficou mais cara em todas as 27 capitais do país. É o que aponta a Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preço da Cesta Básica de Alimentos, divulgada nesta quarta-feira (08) pela parceria entre a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Mesmo com a redução desses três produtos, a alta de itens como tomate, batata e feijão pesou no orçamento das famílias e elevou o custo do conjunto dos alimentos básicos em todo o país entre fevereiro e março.
O levantamento reforça um cenário misto no abastecimento: enquanto produtos ligados a grandes cadeias agroindustriais mostram maior oferta e recuo de preços, alimentos mais sensíveis ao clima e à colheita seguem pressionando o consumidor no varejo.
Açúcar recua mesmo em período de entressafra
Entre os itens com maior queda em março, o açúcar foi um dos principais destaques. Segundo o estudo, o preço médio do produto caiu em 19 cidades, com as maiores reduções registradas em Goiânia (-4,91%), Curitiba (-4,70%) e Belo Horizonte (-4,52%).
De acordo com a análise, a retração acontece mesmo em período de entressafra, impulsionada pela expectativa de maior oferta global. A perspectiva de alta produção no Brasil e também em países como Tailândia e Índia tem ampliado a disponibilidade do produto e reduzido as cotações, movimento que começa a aparecer com mais força no varejo.
Para o setor sucroenergético, o comportamento indica um mercado abastecido e com pressão baixista no curto prazo, ainda que o consumo siga aquecido.
Café em pó mantém trajetória de queda
O café em pó também seguiu em baixa em março e manteve o comportamento de queda observado desde janeiro. Os preços foram menores em 17 capitais, com destaque para Rio de Janeiro (-3,16%) e Belo Horizonte (-2,55%).
Segundo a Superintendência de Gestão da Oferta (Sugof) da Conab, o movimento está ligado à perspectiva de recuperação da oferta global do grão, diante da expectativa de safra recorde no Brasil e da boa colheita no Vietnã no ciclo 2025/26.
Esse cenário tem influenciado as cotações internacionais e, consequentemente, os preços praticados no mercado interno.
Para o agro, o dado sinaliza que o café pode entrar em um momento de maior acomodação de preços após períodos de forte valorização, o que tende a mexer tanto com o varejo quanto com as margens da cadeia produtiva.
Óleo de soja cai com avanço da colheita
Outro produto que apresentou queda relevante foi o óleo de soja. As cotações recuaram em 16 das 27 capitais analisadas, com a maior baixa registrada em Rio Branco (-2,78%).
A Conab atribui esse movimento à intensificação da colheita de uma safra recorde de soja, que amplia a oferta da oleaginosa e pressiona os preços no mercado interno.
O comportamento confirma o reflexo direto de uma grande safra sobre os derivados, especialmente em um momento de maior disponibilidade de matéria-prima.
Para a cadeia da soja, isso reforça o peso da produção recorde sobre o abastecimento e sobre a formação de preços no varejo, beneficiando o consumidor, mas também exigindo atenção do setor industrial e dos produtores quanto às margens.
Mesmo com quedas pontuais, cesta básica sobe em todas as capitais
Apesar do alívio em alguns produtos, o custo da cesta básica subiu em todas as capitais brasileiras entre fevereiro e março.
As maiores altas foram registradas em Manaus (7,42%), Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%), Belo Horizonte (6,44%), Aracaju (6,32%), Natal (5,99%), Cuiabá (5,62%), João Pessoa (5,53%) e Fortaleza (5,04%).
O avanço generalizado mostra que a queda em produtos específicos ainda não foi suficiente para compensar a pressão de alimentos essenciais mais sensíveis a fatores climáticos e sazonais.
Na prática, o resultado expõe como o custo da alimentação continua pressionado no país, mesmo em um momento de maior oferta em algumas cadeias do agronegócio.
Tomate lidera pressão de alta em março
Entre os produtos que mais puxaram a alta da cesta básica, o principal destaque foi o tomate. O alimento ficou mais caro em todas as cidades pesquisadas, com aumentos que variaram de 0,72% em São Luís até 46,92% em Maceió.
Segundo a análise, a forte alta é explicada pela menor oferta e pela perda de parte da colheita causada pelas chuvas. O tomate costuma ter grande sensibilidade às condições climáticas, e qualquer quebra ou redução de produtividade tende a ter impacto rápido no varejo.
Para o produtor e para a cadeia de hortifrúti, o dado reforça como eventos climáticos seguem sendo um dos principais fatores de volatilidade de preços no mercado interno.
Batata também sobe no Centro-Sul
As chuvas também afetaram a produção da batata, reduzindo a oferta do tubérculo e pressionando os preços nas capitais do Centro-Sul, onde o produto integra a composição da cesta básica.
Entre fevereiro e março, a batata ficou mais cara em todas as cidades dessa região analisadas pela pesquisa. As altas variaram de 5,54% em Belo Horizonte até 22,24% em Vitória.
O resultado confirma que as dificuldades na colheita e o excesso de umidade no campo seguem impactando diretamente o abastecimento de hortaliças e tubérculos, refletindo de forma imediata no bolso do consumidor.
Feijão sobe em todas as praças analisadas