Mato Grosso alcançou a marca histórica de 30 anos ininterruptos sem qualquer registro de febre aftosa em 2026. O último foco da enfermidade no estado foi registrado em 1996, inaugurando um ciclo de três décadas sustentado pela vigilância sanitária contínua, investimentos em biosseguridade e engajamento direto dos pecuaristas. A efeméride reforça a posição de liderança do estado, detentor do maior rebanho bovino do Brasil, na blindagem da sanidade do plantel comercial de animais de casco fendido.
A febre aftosa é uma patologia viral de altíssima transmissibilidade que acomete bovinos, bubalinos, suínos, ovinos e caprinos. No gado de corte e de leite, os quadros clínicos manifestam-se por febre alta, sialorreia intensa (salivação excessiva), claudicação e formação de vesículas ulcerativas na cavidade oral, focinho, tetos e cascos, gerando rápida perda ponderal de carcaça e queda acentuada na lactação. Em bezerros e animais jovens, o vírus pode desencadear miocardite e morte súbita. Contudo, a gravidade maior reside nos embargos comerciais imediatos que um surto impõe às exportações de carnes e derivados.
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O presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomain, ressalta que a longevidade sanitária é o pilar que sustenta o agronegócio regional:
"Mato Grosso tem o maior rebanho bovino do país, e 30 anos é um marco que demonstra a importância do trabalho contínuo de todos os envolvidos na defesa sanitária, em especial o do produtor. Manter vigilância permanente é essencial para protegermos nossos animais e preservarmos a força e a competitividade da pecuária de Mato Grosso."
Do fim da vacinação ao passaporte global da OMSA
A trajetória de erradicação culminou na evolução regulatória recente. Em 2023, Mato Grosso suspendeu formalmente a vacinação obrigatória contra a doença, obtendo em 2024 o reconhecimento nacional pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O coroamento internacional definitivo ocorreu em 29 de maio de 2025, quando a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) chancelou o Brasil e o estado como zona livre de febre aftosa sem vacinação.
A transição para o novo patamar eliminou a agulha, mas elevou as exigências sobre a rotina dentro das fazendas. De acordo com o assessor técnico em Pecuária da Famato, Marcos Carvalho, o monitoramento clínico e a comunicação compulsória aos órgãos estaduais são indispensáveis:
"O produtor mato-grossense já tem uma rotina de cuidados com o rebanho, e são essas boas práticas sanitárias que precisam ser continuamente aprimoradas. A observação diária dos animais, o controle da movimentação, as aplicações de vermífugos e vacinas, a manutenção dos registros e a comunicação aos órgãos de defesa quando houver alguma suspeita fazem parte desse trabalho."
O suporte técnico aos criadores é reforçado pelo Senar-MT por meio dos programas de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) e treinamentos dedicados ao manejo racional e biosseguridade.
Receita cambial de US$ 3,2 bilhões e novos destinos comerciais
A chancela sanitária internacional traduziu-se em liquidez financeira nos portos e abertura de mercados de alto valor agregado, a exemplo da recente autorização das Filipinas para a importação de carne bovina e suína com osso e miúdos produzidos em Mato Grosso.
Indicadores levantados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) dimensionam a força do complexo proteico estadual. Entre janeiro e agosto de 2026, Mato Grosso exportou 665,91 mil toneladas de carne bovina (equivalente carcaça), montante que representou 25,77% de todos os embarques brasileiros e gerou uma receita cambial de US$ 3,16 bilhões. No segmento de suínos, os embarques alcançaram 32,36 mil toneladas (3,14% do volume nacional), somando US$ 66,68 milhões em faturamento.
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