Mercado do algodão oscila com clima e demanda global

Embarques brasileiros cresceram 54,9% em abril, enquanto mercado internacional acompanha clima nos EUA, demanda asiática e cenário geopolítico
Mercado do algodão oscila com clima e demanda global
Mercado do algodão registra volatilidade internacional, mas exportações brasileiras batem recorde histórico em abril.
Foto do autor Jair Reinaldo
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O mercado internacional do algodão seguiu marcado por forte volatilidade nos últimos dias, influenciado pelo dólar, petróleo, tensões geopolíticas e movimentação dos fundos especulativos. Mesmo com a queda do petróleo, os contratos futuros da fibra conseguiram fechar em alta na bolsa de Nova York, sustentados principalmente pela recompra de posições vendidas e pelo bom desempenho das exportações brasileiras.

O principal destaque da semana foi justamente o avanço dos embarques do Brasil. Em abril de 2026, o país exportou 370,4 mil toneladas de algodão, volume recorde para o mês e 54,9% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. No acumulado da temporada, entre agosto de 2025 e abril de 2026, os embarques brasileiros já somam 2,71 milhões de toneladas, alta de 13,7%.

Na bolsa de Nova York, o contrato julho de 2026 encerrou cotado a 83 centavos de dólar por libra-peso, com avanço de 1% na comparação semanal. O contrato dezembro também registrou valorização e fechou em 83,69 centavos de dólar por libra-peso.

Clima nos EUA segue no radar

Apesar do movimento positivo recente, o mercado ainda monitora a evolução do plantio da nova safra norte-americana. O avanço das lavouras nos Estados Unidos ocorre acima da média dos últimos cinco anos, fator que ajudou a limitar ganhos mais expressivos nos preços.

Ao mesmo tempo, o clima no oeste do Texas continua sendo uma das principais preocupações do mercado. A previsão de seca persistente para maio mantém o risco de perdas de produtividade e aumento do abandono de áreas, o que sustenta o viés altista para os contratos futuros.

Outro ponto acompanhado pelos investidores é a possibilidade de o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevar as projeções de exportações norte-americanas após novos dados de embarques semanais acima do necessário para atingir a meta atual.

Demanda internacional ainda preocupa

Do lado baixista, a demanda global segue limitada. Segundo analistas, muitas indústrias têxteis asiáticas continuam comprando apenas volumes necessários para reposição imediata, sem avançar em contratos mais longos.

Na Ásia, o aumento recente das cotações também reduziu o interesse comprador. Fiações relatam margens apertadas, especialmente com os contratos futuros girando na faixa média de 80 centavos de dólar por libra-peso.

A Índia ainda debate uma possível redução da tarifa de importação de algodão, atualmente em 11%, mas o governo indiano avalia que os estoques internos são suficientes para atender à demanda da atual safra.

Mercado asiático acompanha cenário global

Na China, os preços do algodão registraram forte alta após o feriado, embora parte dos ganhos tenha sido devolvida nos pregões seguintes. O contrato setembro na bolsa de Zhengzhou encerrou cotado a 16.755 yuans por tonelada.

O país também acompanha o desenvolvimento das lavouras em Xinjiang, principal região produtora chinesa. Segundo a BCO, cerca de 89% das áreas já apresentam emergência das plantas, favorecidas pela elevação das temperaturas.

No Paquistão, o calor intenso e o clima seco podem exigir replantio em algumas áreas produtoras. Já em Bangladesh, a demanda da indústria têxtil segue aquecida, sustentando novas compras de algodão brasileiro para os próximos ciclos.

Qualidade e rastreabilidade ganham espaço

No Brasil, a Abrapa intensificou os treinamentos voltados à qualidade da fibra e à preparação das Unidades de Beneficiamento de Algodão (UBAs) para a safra 2025/26. As ações fazem parte do Programa de Qualidade do Algodão Brasileiro (PQAB), com foco em rastreabilidade, padronização e competitividade internacional.

Além dos treinamentos, eventos técnicos realizados na Bahia e em Mato Grosso reuniram produtores, consultores e especialistas para discutir estratégias de integração entre campo, beneficiamento e laboratório.

Microplásticos entram no debate climático

Outro tema que chamou atenção no mercado foi a divulgação de um estudo publicado na revista científica Nature Climate Change apontando que microplásticos suspensos na atmosfera também contribuem para o aquecimento global.

Segundo os pesquisadores, partículas plásticas coloridas conseguem absorver luz solar e reter calor na atmosfera. O impacto estimado corresponde a cerca de 16% do efeito provocado pelo carbono negro, considerado um dos principais fatores de aquecimento global atrás apenas do dióxido de carbono.

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